segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Dilma abre 24 pontos de vantagem sobre Serra na pesquisa Ibope.

Após dez dias de exposição dos candidatos à Presidência no horário eleitoral, a petista Dilma Rousseff abriu 24 pontos de vantagem sobre o tucano José Serra. Se a eleição fosse hoje, ela venceria no primeiro turno, com 59% dos votos válidos.

28 de agosto de 2010

Segundo pesquisa Ibope/Estado/TV Globo, Dilma chegou a 51% das intenções de voto, um crescimento de oito pontos porcentuais em relação ao levantamento anterior do mesmo instituto, feito às vésperas do início da propaganda eleitoral.

Desde então, Serra passou de 32% para 27%. Marina Silva, do PV, oscilou de 8% para 7%. Somados, os adversários da petista têm 35 pontos, 16 a menos do que ela.


A performance de Dilma já se equipara à de Luiz Inácio Lula da Silva na campanha de 2006. Na época, no primeiro turno, o então candidato petista teve 59% dos votos válidos como teto nas pesquisas.


Geografia do voto. Dilma ultrapassou Serra em São Paulo (42% a 35%) e tem o dobro de votos do adversário (51% a 25%) em Minas Gerais - respectivamente primeiro e segundo maiores colégios eleitorais do País.

No Rio de Janeiro, terceiro Estado com a maior concentração de eleitores, a candidata do PT abriu nada menos do que 41 pontos de vantagem em relação ao tucano (57% a 16%).

Na divisão do eleitorado por regiões, Dilma registra a liderança mais folgada no Nordeste, onde tem mais que o triplo de votos do rival (66% a 20%%). No Sudeste, ela vence por 44% a 30%, e no Norte/Centro-Oeste, por 56% a 24%.

A Região Sul é a única em que há empate técnico: Dilma tem 40% e Serra, 35%. A margem de erro específica para a amostra de eleitores dessa região chega a cinco pontos porcentuais. Mas também entre os sulistas se verifica a tendência de crescimento da petista: ela subiu cinco pontos porcentuais na região, e o tucano caiu nove.


Ricos e pobres. A segmentação do eleitorado por renda mostra que a candidata do PT tem melhor desempenho entre os mais pobres. Dos que têm renda familiar de até um salário mínimo, 58% manifestam a intenção de votar nela, e 22% em Serra.


Na faixa de renda logo acima - de um a dois salários mínimos -, o placar é de 53% a 26%. Há um empate entre a petista (39%) e o tucano (38%) no eleitorado com renda superior a cinco salários.

Também há empate técnico entre ambos no segmento da população que cursou o ensino superior. Nas demais faixas de escolaridade, Dilma vence com 25 a 28 pontos de vantagem.

A taxa de rejeição à candidata petista oscilou dois pontos para baixo, mas se mantem praticamente a mesma desde junho, próxima dos 17%. No caso do candidato tucano, 27% afirmam que não votariam nele em nenhuma hipótese.

A disparada da candidata apoiada pelo presidente Lula disseminou a expectativa de que ela vença a eleição. Para dois terços da população, a ex-ministra tomará posse em janeiro como sucessora do atual presidente. Apenas 19% dos eleitores acham que Serra será o vitorioso.

Mulheres. Com boa parte de sua propaganda direcionada à conquista do eleitorado feminino - dando destaque à possibilidade de uma mulher assumir pela primeira vez a Presidência -, Dilma cresceu mais entre as mulheres (nove pontos) que entre os homens (cinco pontos).

Na simulação de segundo turno, a vantagem de Dilma entre as mulheres é agora praticamente a mesma que entre os homens, um fato inédito na campanha. O próprio Lula sempre teve mais votos entre os homens.

A pesquisa mostra que 57% dos eleitores já assistiram a pelo menos um programa do horário eleitoral.

Segundo o Ibope, 50% dos brasileiros preferem votar em um candidato apoiado pelo presidente, e 9% tendem a optar por um representante da oposição. Do total do eleitorado, 88% sabem que Dilma é a candidata de Lula.

O governo do presidente é considerado ótimo ou bom por 78% dos brasileiros. Outros 4% consideram a gestão Lula ruim ou péssima.


Fonte: http://www.estadao.com.br/








sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O colapso do PSDB

Por Vladimir Safatle


Há algo de melancólico na trajetória do PSDB. Talvez aqueles que, como eu, votaram no partido em seu início, lembrem do momento em que a então deputada conservadora Sandra Cavalcanti teve seu pedido de filiação negado. Motivo: divergência ideológica.

De fato, o PSDB nasceu, entre outras coisas, de uma tentativa de clarificação ideológica de uma parcela de históricos do MDB mais afeitos às temáticas da socialdemocracia européia.

Basta lembrarmos dos votos e discussões de um de seus líderes, Mario Covas, na constituinte. Boa parte deles iam na direção do fortalecimento dos sindicatos e da capacidade gerencial do Estado. Uma perspectiva contra a qual seu próprio partido voltou-se anos depois.

A história do PSDB parece ser a história do paulatino distanciamento desse impulso inicial. Ao chegarem ao poder federal, os partidos socialdemocratas que lhe serviram de modelo (como os trabalhistas ingleses e o SPD alemão) haviam começado um processo irreversível de desmonte das conquistas sociais que eles mesmos realizaram décadas atrás. Um desmonte que foi acompanhado pela absorção de suas agendas políticas por temáticas vindas da direita, como a segurança, a imigração, a diminuição da capacidade de intervenção do estado, entre outros.

Este movimento foi reproduzido pelo governo de Fernando Henrique Cardoso.

Assim, víamos uma geração de políticos que citavam, de dia, Marx, Gramsci, Celso Furtado e, à noite, procuravam levar a cabo o “desmonte do estado getulista”, “a quebra da sanha corporativa dos sindicatos”, ou “a defesa do Estado de direito contra os terroristas do MST”.

O resultado não foi muito diferente do que ocorreu com os partidos socialdemocratas europeus. Fracassos eleitorais se avolumaram, resultantes, principalmente, de uma esquizofrenia que os faziam ir cada vez mais à direita e, vez por outra, sentir nostalgia de traços ainda não totalmente extirpados de discursos classicamente socialdemocratas. No caso alemão, o SPD acabou prensado entre uma direita clara (CDU, FDP) e uma esquerda renovada (Die Linke).

No caso brasileiro, esta eleição demonstra tal lógica elevada ao paroxismo. Assistimos agora ao candidato do PSDB ensaiar, cada vez mais, um figurino de Carlos Lacerda bandeirante; com seu discurso pautado pela denúncia do aumento galopante da insegurança, do narcotráfico, do angelismo do governo com o terrorismo internacional das Farcs e, agora, o risco surreal de “chavismo” contra nossa democracia. Um figurino que não deixa de dar lugar, vez por outra, a uma defesa de que é de esquerda, de que recebeu palavras carinhosas de Leonel Brizola, de que vê em Lula alguém “acima do bem e do mal” etc.

Nesse sentido, o caráter errático de sua campanha não é apenas um traço de seu caráter ou um problema de cálculo de marketing.

Trata-se do capítulo final da dissolução ideológica de uma sigla que só teria alguma chance se tivesse ensaiado algo que o PS francês tenta hoje: reorientação programática a partir de um discurso mais voltado à esquerda e (algo que nunca um tucano terá a coragem de fazer) autocrítica em relação a erros do passado.

Fonte: blog do Favre.



Estimativas para 3 de outubro


26.08.2010


Por Marcos Coimbra

Do jeito como vão, as eleições presidenciais não devem nos reservar surpresas de reta final. Ao contrário. Salvo algo inusitado, elas logo adquirirão suas feições definitivas, talvez antes que cheguemos ao cabo da primeira quinzena de veiculação da propaganda eleitoral na tevê e no rádio.

Por várias razões, a provável vitória de Dilma Rousseff- em 3 de outubro será saudada como um resultado extraordinário. Ao que tudo indica, ela alcançará uma coisa que Lula não conseguiu nem quando disputou sua reeleição: vencer no primeiro turno. Não que levar a melhor dessa maneira seja fundamental, pois o próprio Lula mostrou ser possível ganhar apenas no segundo e se tornar o presidente mais querido de nossa história.

É preciso lembrar que Lula não a obteve em 2006 por pouco, apesar de sua imagem ainda sangrar com as feridas abertas pelo mensalão. Ele havia chegado aos últimos dias daquele setembro com vantagem suficiente para resolver tudo ali mesmo e só a perdeu quando sofreu um ataque sem precedentes de nossa “grande imprensa”.

Aproveitando-se do episódio dos “aloprados”, fazendo um carnaval de sua ausência no debate na Globo, ela balançou um eleitorado ainda traumatizado pelas denúncias de 2005. Lula deixou de vencer em 1º de outubro, o que, no fim das contas, terminou sendo ótimo para ele. No segundo turno, a vasta maioria da população concluiu o processo de sua absolvição, abrindo caminho para o que vimos de 2007 em diante: ele nunca mais caiu na aprovação popular e passou a bater um recorde de popularidade atrás de outro.

Com as pesquisas de agora, é difícil estimar com precisão quanto Dilma Rousseff poderá ter no voto válido. Não é impossível que alcance os 60% que Lula fez, no segundo turno, na última eleição. E ninguém estranharia se ela ultrapassasse os 54% que Fernando Henrique obteve em 1994, com o Plano Real e tudo.

Para fazer essas contas, é preciso levar em consideração diversos fatores. Um é quanto Marina Silva poderá alcançar, a partir dos cerca de 8% que tem hoje. Há quem imagine que ela ainda cresça, apesar do mísero tempo de televisão de que disporá. Com uma única inserção em horário nobre por semana e um tempo de programa praticamente idêntico ao dos candidatos pequenos, não é uma perspectiva fácil.

O segundo fator é o desempenho dos candidatos dos partidos menores, dos quais o mais relevante é Plínio de Arruda Sampaio. Muito mais que seus congêneres de extrema esquerda, ele pode se transformar em opção para a parcela de eleitores que vota de forma mais ideo-lógica ou que apenas quer expressar seu “protesto”. Embora as pesquisas a respeito desse tipo de eleitor não sejam conclusivas, isso pode, talvez, ocorrer em detrimento de Marina: à medida que Plínio subir, ela encolherá. O que não afetaria, portanto, o tamanho do eleitorado que não votará em Dilma ou Serra.

Para, então, projetar o tamanho da possível vitória de Dilma, o relevante é saber o piso de Serra. Se ele cairá, considerando seu patamar atual, próximo a 30%.

Só o mais otimista de seus partidários acredita (de verdade) que a presença de Lula na televisão será inútil para Dilma e que seu apelo direto ao eleitor não produzirá qualquer efeito. Ou seja, ninguém acredita que ela tenha já atingido seu teto, com os 45% que tem hoje.

O voto em Serra tem, no entanto, três fundamentos, todos, aparentemente, sólidos: 1. É um político respeitado no maior estado da federação, que governou, até outro dia, com larga aprovação. 2. Representa o eleitorado antipetista,- aquele que pode até tolerar Lula, mas que nunca votou e nunca votará no PT. 3. Tem uma imagem nacional positiva, conquistada ao longo da vida e, especialmente, quando foi ministro da Saúde.

De São Paulo deve sair com 45% dos votos, o que equivale a 10% do País. O antipetismo lhe dá mais cerca de 10% e a admiração por sua biografia no restante do eleitorado, outro tanto (tudo em números redondos).


Se essas contas estiverem corretas, Serra teria pouco a perder nas próximas semanas. Em outras palavras, já estaria, agora, perto de seu mínimo.


Fica simples calcular o resultado que, hoje, parece mais provável para 3 de outubro: Serra, 30%; Marina e os pequenos, 10%; brancos e nulos, entre 8% e 10% (considerando o que foram em 2006 e 2002, depois da universalização da urna eletrônica); Dilma, entre 50% e um pouco menos que 55%. Nos válidos: Marina (e os pequenos) 11%, Serra 33%, Dilma 56%.

Talvez seja arriscado fazer essas especulações. Talvez não, considerando quão previsível está sendo esta eleição.

Fonte: Carta Capital.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Direita à beira do precipício

Eleições atualizam a correlação de forças no legislativo. Isso vai significar, neste ano, na redução das bancadas dos partidos do núcleo da direita (PSDB e DEM) e no fortalecimento da base parlamentar da presidenta Dilma Rousseff.


Por José Carlos Ruy


O tempo político transcorre, nos parlamentos, em ritmo mais lento do que as mudanças vividas nas sociedades. Nas democracias de modelo ocidental, estas casas são como sítios arqueológicos de correlações de forças que existiram no passado. Principalmente no Senado pois, na Câmara dos Deputados, isto é relativizado. Além da renovação a cada quatro anos, ali existe a possibilidade da sintonia mais fina de muitos deputados e partidos que fazem daquela Casa uma espécie de caixa de ressonância das inquietações populares.

Já o Senado, com renovação mais lenta (os mandatos são de oito anos, e as eleições ocorrem a cada quatro anos, trocando 1/3 dos mandatos em uma e 2/3 em outra) e média de idade dos senadores mais alta, pode funcionar como um contrapeso para mudanças políticas maiores, contrapeso formado justamente pela permanência da correlação de forças ultrapassadas e que, devido aos longos mandatos de oito anos, mantém uma sobrevida em que o passado pode travar o futuro.

Este é o sentido da alteração dos objetivos eleitorais de demos e tucanos que, segundo os jornais, jogaram a toalha nesta eleição presidencial que as pesquisas de opinião dão como perdida para o candidato da oposição José Serra. Passam a privilegiar a disputa para o Senado, como recomendam a seus correligionários caciques da direita, em particular Fernando Henrique Cardoso e César Maia.

A escolha de novos senadores na eleição deste ano vai registrar o último suspiro da conjuntura política de 2002 ao renovar os mandatos ou mandar para casa os 54 mandatários eleitos naquele ano. Esta escolha se dará numa conjuntura nova e profundamente alterada pelas mudanças ocorridas desde que o presidente Lula assumiu, em 2003. O temor do cardinalato demo-tucano é perder aquelas posições que, fincadas na correlação de forças já ultrapassada de 2002, foram o bastião conservador contra as mudanças.

O ajuste da composição da Câmara dos Deputados e, principalmente, do Senado, com a nova correlação de forças que vai se constituindo, será - tudo indica - devastador para os partidos que formam o núcleo da oposição de direita, cujo desempenho é declinante desde 1998.

Declínio eleitoral


Em 1998 o então PFL (atual DEM) elegeu 90 deputados federais; foi caindo de eleição a eleição, chegando a 54 em 2006; calcula-se que agora elegerá, com sorte, 40 deputados federais, podendo perder o status de partido grande. O PSDB vive sorte semelhante: elegeu 83 em 1998 e 56 em 2006, e há quem considere que, no máximo, vai manter esse número na eleição deste ano.

No Senado, o cenário se repete. O DEM que, como PFL, elegeu cinco senadores em 1998, passou para 14 em 2002, caiu para seis em 2006 e, este ano, poderá eleger entre quatro ou cinco. O PSDB, por sua vez, passou de quatro em 1998 para oito em 2002, cinco em 2006 e este ano poderá eleger sete.

No saldo final, segundo a consultoria Patri, os partidos que apoiam a candidatura de Dilma Rousseff poderão formar uma base parlamentar de 342 deputados e 54 senadores, contra uma bancada da direita neoliberal e conservadora de 135 deputados e 31 senadores. São números que, se forem confirmados pelas urnas, darão uma confortável maioria parlamentar (2/3 nas duas casas legislativas) para o novo governo que, como as pesquisas indicam, será chefiado por Dilma Rousseff.


A reação da direita

Se a eleição deste ano terá uma particularidade, será a de registrar as mudanças ocorridas nos últimos oito anos. Elas são indicadas pelas tendências que as pesquisas eleitorais mostram e também pelos movimentos tectônicos que acometeram a oligarquia neoliberal, cujas bases que, no passado, foram verdadeiros currais eleitorais, hoje, migram para posições mais autônomas de afirmação democrática. Migração já visível nas últimas eleições, fazendo minguar principalmente as bases do DEM, com ênfase no interior do Nordeste.

A campanha eleitoral apenas confirma essa tendência. Há aqueles que desistiram de concorrer, como mostra o Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar). O DEM é o partido que tem maior número de deputados federais nessa situação pois temem o fracasso nas urnas. Da bancada de 56 deputados federais que o partido tem hoje, 13 desistiram. É um número alto: entre os 513 deputados que compõem a Câmara, apenas 34 não vão concorrer este ano, e os demos constituem mais de 1/3 deste número.

Outro exemplo da derrocada ocorre em Pernambuco onde o tucano infiltrado no PMDB, o senador Jarbas Vasconcelos, candidato ao governo do Estado, foi literalmente abandonado pela maioria dos prefeitos que o PSDB tem no estado. Dos 17 prefeitos tucanos em Pernambuco, 14 apóiam a candidatura do governador Eduardo Campos (PSB) à reeleição. "Aqui", reclama Jarbas, os tucanos "só têm criado dificuldade".

Senha para o golpe


No passado, quando viveu situação semelhante, a resposta dos conservadores não veio através das urnas, mas do golpe de Estado. A última eleição democrática ocorrida no Brasil antes de 1964 é um exemplo. Ela ocorreu em 7 de outubro de 1962 e confirmou a tendência de avanço político vivida desde o início da década de 1950, que se traduzia na diminuição da votação nos partidos conservadores e no grande crescimento do Partido Trabalhista Brasileiro, que era então o estuário das esperanças de mudança. E também do voto nas coligações, configurando o fracasso da organização partidária montada para garantir a hegemonia conservadora desde o final da ditadura do Estado Novo.


A eleição de 1962 revelou o crescimento mais acelerado do PTB em relação aos partidos conservadores (Partido Social Democrático - PSD, e União Democrática Nacional - UDN). Entre a eleição de 1950 e a de 1962, o número votos do PSD cresceu 8% e da UDN, 23%. O PTB teve mais votos que a UDN (1,7 milhão contra 1,6 milhão dos udenistas) e um avanço de 37% naqueles doze anos. Os votos em coligações explodiram: passaram de 1,6 milhão em 1950 a 5,9 milhões em 1962, representando um crescimento de 277%.

A direita percebeu aqueles resultados como uma grave ameaça para seus partidos (PSD e UDN), representada pelo fortalecimento da tendência de uma mudança profunda na correlação de forças. O presidente da República era o petebista João Goulart, ligado aos sindicatos e sensível às demandas populares; e a luta por reformas sociais crescia, refletindo-se naqueles resultados eleitorais. O Brasil era outro, ainda fortemente agrário, onde o poder das oligarquias latifundiárias era muito forte e os avanços democráticos enfrentavam os obstáculos representados pela aliança de proprietários que unia fazendeiros, banqueiros, industriais, parcela considerável do alto clero e da cúpula das Forças Armadas, além de representantes do imperialismo.

Naquele quadro, a avaliação que o general Golbery do Couto e Silva fez do resultado da eleição de 1962 foi uma espécie de senha para a articulação golpista que levou à derrubada de João Goulart em 1964 e ao início da ditadura que durou duas décadas. Ele enxergou uma tendência "comuno-petebista" que inviabiliza uma opção eleitoral para os conservadores, impondo uma saída à margem das instituições, como declarou ao jornal norte-americano The New York Times.

O fantasma de Hugo Chavez


Em nossos dias, a direita conservadora revive aquele mesmo desconforto, mas sua capacidade de ameaçar - e de mobilizar forças para transformar rosnados em fatos concretos - parece menor. À beira do precipício, a cúpula do PSDB, partido do candidato neoliberal José Serra, deixa a disputa eleitoral em segundo plano e prioriza as eleições para governador em quatro estados (São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Goiás) e para o Senado. Há mesmo, entre os tucanos, aqueles cujo realismo sugere a avaliação pessimista da iminência do naufrágio do partido se não tiver sucesso nestas eleições para governadores.

A opção pelo Senado tem para eles o sentido estratégico de manter ali sua trincheira contra as mudanças. Os jornais dizem que Fernando Henrique Cardoso tem sido claro a seus interlocutores dizendo que precisam manter uma bancada de senadores capaz de ser um contrapeso contra as ações da Presidência da República. A experiência dos últimos oito anos mostra exatamente o que o ex-presidente tucano quer dizer: manter no Senado a capacidade para impedir as mudanças e uma tribuna através da qual possam difundir mentiras com o objetivo de mobilizar a parte da população sensível a seu discurso retrógrado.

Outro dirigente da direita que faz uma desenvolta defesa dessa opção é o ex-prefeito carioca César Maia, do DEM que, como FHC, brande como ameaça a imagem do presidente venezuelano Hugo Chávez - o demônio da hora da direita - e diz, claramente, que o "jogo" agora é “o controle do Senado”.

Além de manter a presidência da República e a perspectiva de continuar e fazer avançar as mudanças iniciadas sob Lula, a eleição deste ano precisa dar outro passo fortalecendo as forças da mudança na Câmara dos Deputados e no Senado, derrotando a direita e seu plano de preservar sua capacidade de criar obstáculos para o avanço social e democrático no Brasil.

http://www.vermelho.org.br/

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

CNT/SENSUS: DILMA TEM VANTAGEM DE 17,9% SOBRE SERRA


24 de Agosto de 2010



Pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta quarta-feira, 24, indica que a candidata do PT, Dilma Rousseff, venceria hoje a eleição para a Presidência da República já no primeiro turno. A petista lidera a disputa com 46% das preferências, contra 28,1% do candidato do PSDB e ex-governador de São Paulo, José Serra. A candidata do PV, Marina Silva, tem 8,1%.


Segundo Ricardo Guedes, o coordenador da pesquisa, Dilma venceria no primeiro turno porque, considerando apenas os votos válidos, ela teria 55,3% das preferências, na comparação com os 33,7% do candidato tucano. A conta dos votos válidos exclui brancos, nulos e indecisos. Com o resultado, Dilma ampliou a vantagem sobre Serra para 17,9 pontos porcentuais neste levantamento, ante os 10 pontos porcentuais da pesquisa anterior.

Guedes afirmou ainda que o índice de rejeição de Serra indica que a eleição caminha para um desfecho em primeiro turno, uma vez que a rejeição de um candidato a partir de 35% já é preocupante. Nunca vimos uma pessoa se eleger com 40% ou mais de rejeição.

A pesquisa registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fez 2 mil entrevistas e a margem de erro é de 2,2 pontos porcentuais para baixo ou para cima.


Com informações do Estadão.


http://www.jusbrasil.com.br/politica/5604996/cnt-sensus-dilma-tem-vantagem-de-17-9-sobre-serra

domingo, 22 de agosto de 2010

Datafolha: Após horário eleitoral, Dilma aumenta a vantagem sobre Serra.


Após as indicações do Ibope e do Vox Populi, agora é a vez do Datafolha mostrar que cresceram as chances de Dilma Rousseff vencer a eleição presidencial em primeiro turno no dia 3 de outubro próximo. Segundo o instituto, a candidata já alcançou 54% das intenções de votos válidos (desconsiderados os brancos e nulos).

O Datafolha divulgou hoje (21) o levantamento, feito ontem (20), que aponta Dilma com 47% das intenções, bem à frente de José Serra do PSDB (30%) e Marina Silva do PV (9%). A vantagem da candidata dobrou em relação ao levantamento realizado entre os dias 9 e 12 de agosto, quando a petista estava com 41%, o tucano tinha 33% e a candidata verde registrava 10%.

São três motivos apontados pelo Datafolha para a ampliação da liderança: influência da TV, votos das mulheres e desempenho melhor na região Sul. "Os que viram o horário eleitoral alguma vez desde que começou, na terça-feira [dia 17 de agosto], são 34%. Entre os que assistiram a propaganda, Dilma tem 53% e Serra, 29%", diz a reportagem do jornal Folha de S. Paulo.

Os diretores do Datafolha, Mauro Paulino e Alesandro Janoni, são categóricos sobre o peso da TV no cenário atual: "A TV prova mais uma vez seu poder de alcance e penetração nos mais diversos estratos da população brasileira, inclusive naqueles onde o acesso à informação é raro. Oficializadas as candidaturas, a cobertura das eleições na mídia, especialmente na TV, se intensificou".

Mulheres e Sul

No entanto, o movimento mais forte ocorreu entre as mulheres. Na pesquisa anterior do Datafolha, havia empate técnico de 35% entre Dilma e Serra. Agora, a candidata abriu simplesmente 12 pontos percentuais de frete: 43% contra 31% de Serra. No segmento dos homens, ela tem uma vantagem ampla de 52% contra 30% do tucano.

Nos três estados do Sul, o Datafolha mostra agora um empate técnico de 38% para Dilma e 40% para Serra. Há um mês, o tucano tinha uma liderança de 45% a 32%.

A pesquisa de ontem do Datafolha ouviu 2.727 eleitores. As intençõe de voto em branco, nulo ou nenhum são de 4%, e os indecisos, 8%. A margem de erro é de dois pontos percentuias para mais ou para menos


www.dilma13.com.br

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Vox Populi: Dilma abre 16 pontos de vantagem sobre Serra


Na mostra, a petista aparece com 45% das intenções de voto, enquanto o presidenciável do PSDB tem 29%


17 de agosto de 2010
19h 39


Gustavo Uribe, da Agência Estado


SÃO PAULO - A mais recente pesquisa Vox Populi de intenções de voto, encomendada pela TV Bandeirantes e divulgada nesta terça-feira, 17, mostra que a candidata do PT à sucessão presidencial, Dilma Rousseff, aumentou em 16 pontos a vantagem sobre o seu principal adversário na corrida eleitoral, o tucano José Serra. Na mostra, a petista aparece com 45% das intenções de voto, enquanto o presidenciável do PSDB tem 29%. Se as eleições fossem hoje, Dilma venceria a disputa em 1º turno, levando em conta os votos válidos. Na mostra anterior, veiculada no dia 23 de julho, a diferença entre os dois candidatos era de oito pontos - Dilma tinha 41% e Serra figurava com 33%.

Na pesquisa de hoje, a candidata do PV à sucessão presidencial, Marina Silva, pontuou 8%, o mesmo patamar registrado em julho, e os demais candidatos não chegaram a 1% das intenções de voto. O total de votos brancos e nulos é de 5% e 12% não sabem ou não responderam em quem vão votar. A TV Bandeirantes não divulgou o cenário da pesquisa em um eventual segundo turno. A pesquisa foi realizada com 3.000 eleitores, entre os dias 7 e 10 de agosto. O intervalo de confiança estimado é de 95% e a margem de erro máxima é de 1,8 ponto porcentual, para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob o protocolo nº 22.956/2010.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A verdade sobre a nogociação entre Lula e Ahmadinejad.

Parte da entrevista de Lula concedida à ISTOÉ em 08 de agosto de 2010.

ISTOÉ – A mais ousada ação do seu governo na política externa nos últimos tempos foi a intermediação da questão atômica com o Irã. O que faltou para o êxito da negociação?
Lula – É o tipo da coisa que somente o tempo vai se encarregar de mostrar o que aconteceu. Eu não tinha nenhuma relação de amizade com o (Mahmoud) Ahmadinejad. Conheci o Ahmadinejad numa reunião da ONU antes da minha ida a Pittsburgh para discutir o G-20. Tive uma conversa com ele. Discutimos duas horas e a primeira coisa que comecei a discutir era a respeito do Holocausto. Se era verdade ou não que ele não acreditava no Holocausto. E ele disse: “Não foi bem isso que eu quis dizer.” Se não foi bem isso que você quis dizer, então, diga. Porque em política todas as vezes que a gente começa a se explicar muito é porque a gente cometeu um erro. Ele disse: “É porque morreram 67 milhões de seres humanos na Segunda Guerra e parece que só morreram os judeus. Os judeus se fazem de vítimas.” Eu falei que se era isso que ele, Ahmadinejad, queria dizer então dissesse. Morreram 67 milhões de pessoas na Segunda Guerra, mas os judeus não morreram em guerra. Eles foram assassinados a sangue-frio, crianças, mulheres, em câmaras de gás, é diferente. Senti que tinha uma possibilidade de conversa. Ele pessoalmente é muito mais afável do que na televisão.

ISTOÉ – Como o sr. encaminhou a questão?
Lula – Eu cheguei na ONU, cheguei em Pittsburgh, tinham dado uma entrevista o Sarkozy (presidente da França, Nicolas Sarkozy), Gordon Brown (então primeiro-ministro britânico) e Barack Obama (presidente dos EUA) criticando Ahmadinejad. Fui no Obama e falei: “Companheiro, você já conversou com o Ahmadinejad alguma vez? Não. Você se dignou a pegar o telefone, ligar para ele e dizer: eu quero conversar com você? Não”. A mesma conversa eu tive com o Sarkozy, com o Gordon Brown e com a Angela Merkel (chanceler alemã). Ora, vocês nunca conversaram com o Ahmadinejad e estão dizendo que ele não quer sentar à mesa para negociar essa questão da paz. Então eu quero dizer para vocês o seguinte: eu acredito que ele quer sentar e eu estou convidando ele para ir ao Brasil, estou convidando o primeiro-ministro de Israel, estou convidando o Shimon Peres, estou convidando o presidente da Síria para ir ao Brasil. Separadamente, cada um na sua data. Ahmadinejad veio aqui. Nós conversamos mais de duas horas. Eu disse que, se fosse possível a gente avançar, eu mandaria o Celso Amorim ir muitas vezes lá. Como a Turquia também estava tentando, então o Celso Amorim e o ministro das Relações Exteriores da Turquia começaram a conversar com o primeiro-ministro do Irã, preparando a nossa ida lá. Em Copenhague, quase que eu consigo marcar um jantar entre Sarkozy e Ahmadinejad. Mas, como a rainha da Dinamarca não convidou o Ahmadinejad para o jantar, não deu. Chegou o dia de eu ir ao Irã e eu falei para o Celso que era preciso dizer para o Ahmadinejad que eu não poderia fazer uma viagem inútil.

ISTOÉ – O sr. também havia recebido um pedido de Sarkozy para encaminhar ao Ahmadinejad.
Lula – Sarkozy tinha falado conosco da moça que estava presa, se poderia ter um gesto de liberar. Eu conversei com Ahmadinejad e ele se comprometeu a liberar, tanto é que eu cheguei à meia-noite lá e às cinco horas da manhã ele liberou. Duas semanas antes de eu viajar, recebo uma carta do Obama. E a carta do Obama tinha um viés. Primeiro tratando de uma forma carinhosa, se desculpando da grosseria dele quando nós fomos discutir o assunto nuclear lá. Ele achou que eu e a Turquia estávamos sonhando, acreditando no Ahmadinejad, que ele iria enganar a gente, não iria cumprir nada. Eu disse o seguinte: “Eu nasci político, meu filho. Toda a minha vida, desde 1969, foi negociar. Perdi muita coisa, ganhei muita coisa, mas negociar é a arte maior de fazer política. Então eu vou lá porque eu acredito.” Tanto é que quando eu cheguei na Rússia, na viagem para o Irã, Dmitri Medvedev (presidente russo) me disse: “Obama me ligou dizendo que ele acha que você vai ser enganado pelo Ahmadinejad.” Um jornalista perguntou: “Escuta aqui, de zero a seis, qual é o grau de otimismo que você tem para fazer a negociação?” O Medvedev falou 30%. Eu disse: Porra! Que otimismo pessimista! Eu falei 99,9%. Cheguei ao Qatar, o Obama tinha ligado para o emir dizendo que vão enganar o Lula. Cheguei ao Irã, conversamos, conversamos, conversamos. Fui conversar com o líder supremo, Khamenei. Duas horas de conversa. Depois fui conversar com o Ali Larijani (presidente do Parlamento) e com todos falei da importância, que eles não poderiam arriscar o bloqueio.

ISTOÉ – Por que, presidente?
Lula – Porque o bloqueio começa sem dor, mas daqui a pouco começa a faltar remédio, começa a faltar comida. E quem paga o preço são as crianças. Contei que Cuba viveu 50 anos, que a Líbia viveu 13 anos com bloqueio. Eu conversei tudo o que poderia conversar com eles. O Celso Amorim teve um papel extraordinário com os ministros. Chegou no outro dia às 9h da noite e nós fomos jantar. O Celso não estava no jantar e estava o ministro deles. Azedou, pensei. Esse aqui (o ministro Franklin Martins) estava muito pessimista. Na hora que eu saí do hotel, ele falou: “não vai dar nada”. E eu: “Calma, rapaz, tem que ter fé. A fé que move montanhas.” Eu cheguei lá, estava o ministro deles, mas não estava o Celso. Pensei que tinha azedado mesmo. Então disse para o Ahmadinejad: amanhã eu vou embora, sabe que para eu vir aqui eu larguei a minha mulher e os meus filhos, tenho tarefa pra caramba no Brasil. Vim aqui porque eu quero para você o que eu quero para mim. Eu quero que o Irã desenvolva o enriquecimento de urânio para fins pacíficos, para produzir coisas para a indústria farmacêutica, para produzir coisas para a energia nuclear e no meu país isso está na Constituição. E eu não quero que, por equívoco, o mundo rico, que tem bomba nuclear, te impeça de fazer isso. Então, na verdade eu vim aqui para dar as minhas costas para repartir as chibatadas que você está tomando e não gostaria de ir embora sem assinar esse acordo. Se eu for embora sem assinar esse acordo, eu vou ter que começar a fazer discurso dizendo que você não quer negociar mesmo.

ISTOÉ – Depois disso ele resolveu assinar?
Lula – Ele disse: Vamos conversar amanhã de manhã? O ministro dele estava comigo e ia encontrar o Celso ainda. O ministro dele disse assim para mim: “Presidente, falta só um ponto, eu vou encontrar com o Celso agora.” Quando foi meia-noite, eu cheguei ao hotel e o Celso me liga: “Presidente, fechamos.” Nós fomos para acertar o acordo. Tinha físico para dar palpite, como vocês nem imaginam. Os caras não queriam assumir compromisso com data. Eu disse que sem data nós não concordávamos. Eu falei: “Ahmadinejad, vocês sabem o que falam de você. Lá fora na Europa, nos Estados Unidos, falam que você não cumpre palavra, você sabe disso. Por isso é importante colocar a data dizendo que tal dia você vai mandar tal coisa”. Ele topou. Qual foi a minha surpresa, companheiros? É que o pessoal que estava há não sei quantos anos tentando conversar com o Ahmadinejad e nunca conversou, porque nunca tentou, ficou com ciúmes. Por isso a reação. Na minha opinião, essa é a única explicação para a ciumeira do Conselho de Segurança da ONU. Nós ainda mandamos para o grupo de Viena, com Rússia, Estados Unidos e França, a carta no domingo, e ainda assim eles tentaram barrar. Eu acho que a história vai mostrar o equívoco dos companheiros que resolveram trocar as conversas pelas sanções, porque demonstraram apenas ciúmes. Em minha opinião, uma atitude pequena. O problema é o seguinte: se a ONU continuar fraca do jeito que está, vai prevalecer o unilateralismo, a posição unilateral dos americanos vai continuar prevalecendo. Quando nós propusemos fortalecer a ONU, não queríamos só a entrada do Brasil. Mas a entrada do Brasil, da Índia, da Alemanha, de dois ou três países africanos.

ISTOÉ – Mas uma luta histórica do Brasil é pelo assento definitivo no Conselho de Segurança da ONU.
Lula – É para que tenha mais representatividade. Imagine o continente africano com 53 países que não tem ninguém. E quantos têm os europeus? E agora tem mais a Alemanha, convidada especial. O Conselho de Segurança da ONU não pode ser um clube de amigos, não pode ser tratado assim. Aquilo tem que ser uma instituição multilateral para resolver problema de conflitos. Em minha opinião, no Oriente Médio não haverá solução enquanto os americanos acharem que são eles os responsáveis pela construção da paz. Se a ONU fosse forte, resolveria o problema do Oriente Médio. Iria lá, demarcaria a terra dos palestinos, demarcaria a terra de Israel e faria cumprir, como fez em 1948, quando criou o Estado de Israel. Como ela é fraca, fica só lá, um dia vai um e ganha o Prêmio Nobel, outro dia vai outro e ganha o Prêmio Nobel, não faz nada, outro dia vai outro e outro prêmio. Então, eu acho que é uma estupidez política não reformar o Conselho de Segurança da ONU.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

A aplicação do marketing político nas campanhas eleitorais


O marketing político é essencialmente aplicado nas campanhas eleitorais para influenciar a opinião pública. Entende-se por opinião pública idéias, ações ou conceitos que nascem do povo, da sua cultura, muitas vezes influenciadas por formadores de opinião ou pelo censo comum. Mas essa técnica também é utilizada para planejar as atitudes do político nas suas campanhas eleitorais no sentido de conquistar e cultivar a atenção, o interesse e a preferência de um mercado de eleitores. Ações como destacar as qualidades do candidato junto aos eleitores e reforçá-las durante o período eleitoral com slogans e imagens que ressalte nessa conquista, são formas incontestáveis do uso do marketing político.
Corroborando com a constatação anterior, Torretta (2003, p. 69-70), pergunta e responde quais as imagens que ficaram da guerra entre EUA e Iraque (em termos de Marketing Político)?

[...] do presidente George Bush, no final da guerra, descendo no porta-aviões Abraham Lincoln e discursando. E, enquanto discursava, centenas de oficiais olhavam e respeitavam o chefe da mais poderosa Nação do mundo. Os membros da tripulação alinhados com camisas coloridas acima do ombro direito do Presidente Bush, e banners com a mensagem: ‘missão cumprida’. A que horas foi o discurso? Pergunte a qualquer diretor de fotografia qual é a melhor hora para se filmar: 5 da tarde! O tom ficou maravilhoso, dourado, provocando uma iluminação suave na face esquerda do Presidente e, na face direita um leve sombreamento. Foi tudo planejado. [...] No dia em que ele anunciou que iria atacar o Iraque, onde foi o discurso? No jardim da Casa Branca, o Presidente brincando com os cachorros. Calmo, tranqüilo e dono de si. Aliás, portando-se como o Dono do Mundo que nada teme. Vamos lembrar do discurso do Presidente no aniversário do atentado de 11 de setembro. Qual era o cenário? Noite escura e ao fundo a Estátua da Liberdade, é claro. E, para que ela ficasse bem iluminada e saísse bem na fotografia, a Casa Branca alugou três balsas com gigantescos canhões de luz para iluminar toda a estátua. O cenário do fundo da foto deve possuir contexto e agregar valor à imagem.

Assim como na guerra, no mercado quem for mais astuto e utilizar melhor as técnicas apropriadas vencerá a batalha. Aliás, eleição é guerra de marketing e uma guerra só se vence quando se conhece bem o inimigo para poder neutralizá-lo. Nessa batalha não se pode ser puritano; vale tudo desde que se tome cuidado para que o jogo não vire contra o jogador
Manhanelli (1998, p. 21) cita que “o puritanismo não tem lugar nem hora em uma guerra e nem em uma eleição, pois o que está em jogo é muito importante para quem se dispõe a enfrentá-las”.

A propaganda tem por objetivo não somente informar, mas também convencer através do uso do conjunto de técnicas, por meio de sons e imagens, tornando-se fundamental para conseguir o apoio e o voto dos eleitores nas campanhas eleitorais. Os políticos cada vez mais vêm procurando impor uma imagem de si para que esta seja captada pelo seu eleitorado. A imagem de um dirigente equivale à marca de um produto. Dessa forma, o político constrói uma marca confiável e de fácil identificação pelo eleitorado. O político passa a representar o ideal, aquilo que cada um gostaria de ser, ou seja, identificar-se com o seu público-alvo.

A propaganda é um fator essencial à política. Uma das ferramentas mais importantes e mais utilizadas para conquistar o poder e justificar a dominação. Trata-se de uma forma de coação psicológica, cujo elemento fundamental é a manipulação que, muitas vezes é capaz de impor uma idéia, um programa ou uma ideologia, sem que o manipulado perceba.

O marketing político tem também a função de despertar paixões, desejos e expectativas em relação ao candidato, gerando entusiasmo e esperanças para com o que ele defende durante a campanha. Para isso o discurso político deve ser coerente e lógico para persuadir o eleitor e fazer com ele perceba que a mensagem que está sendo passada é verdadeira.


Marketing político não deve partir do pressuposto de que todos os eleitores são manipuláveis.
Pensando dessa forma pode-se incorrer em erro grave, pois generaliza o padrão de comportamento, igualando os eleitores no que se refere à conscientização política. É bom que se diga que existem vários padrões de politização entre o eleitorado: uns gostam e por isso entendem mais de política, enquanto outros não gostam do assunto e por isso entendem menos.

Nessa linha de raciocínio é acertado afirmar que uma campanha não atinge a todos os eleitores de forma igual, portanto, sua influência não é homogênea.
Para o sucesso do marketing político nas campanhas eleitorais é necessária a aplicação dos compostos mercadológicos como método.