terça-feira, 5 de outubro de 2010

Lembretes para o segundo turno de 2010

Por Flávio Aguiar

Aos meus amigos verdes, gostaria de lembrar que Fernando Gabeira já declarou apoio a Serra, o que mostra como de fato ele considera Marina da Silva e as instâncias do próprio partido.


Assim como a causa ambiental, uma vez que entre Serra/DEM/Índio da Costa e causas ambientais há uma distância de anos-luz.

É bom lembrar também que Serra ganhou nos estados do chamado “espinhaço do agro-business”, que vai de Santa Catarina a Rondônia. Isso permite uma bela previsão do que vai ser o seu governo, muito mais do que frases sem cabeça nem pé.

A propósito de anos-luz: o que ajudou a empurrar Serra para o segundo turno, dando mais votos a Marina, foi a campanha obscurantista, retrógrada, caluniosa e que usa o nome de todas as religiões em vão, acusando, por exemplo, Dilma Rousseff de ser a favor do aborto.

Aos preocupados com a liberdade de imprensa, lembro que na mídia que apóia a candidatura de Serra, velada ou abertamente, desde 2006 tornaram-se comuns as “operações limpeza” (inclusive a pedido), eliminando jornalistas (inclusive de renome) dissidentes (como durante a ditadura) ou que não tocavam de acordo com a música.

Já a quem se preocupe com política externa, lembro que, se Serra levar a sério suas declarações durante a campanha, erguerá uma cortina de ferro nas fronteiras do nosso país, acabando com a integração continental. Sem falar que retornaremos aos tempos do beija-mão e da barretada à potência de plantão. O Brasil vai perder todo o prestígio que acumulou nos últimos anos. Vai murchar em matéria de contatos com a África, Ásia e América Latina, sem que isso signifique uma melhor posição diante da Europa ou da América do Norte.

Se a preocupação for com a idéia de que “é bom alternar quem está no poder”, sugiro que comecemos por pensar no caso de S. Paulo, o segundo orçamento da nação, que completará vinte anos sob a batuta da coligação PSDB/DEM, com resultados precários na educação, saúde e segurança.


Para quem ache que “é tudo a mesma coisa”, lembro que a arte da política (de acordo, entre outros, com Gramsci) é a de discernir as diferenças para além das aparentes semelhanças, e que essas diferenças aparecem mais pelo acúmulo de atos do que pelo de palavras e promessas.

Lembro ainda que, devido aos resultados do primeiro turno, uma vitória de Serra vai transformar o governo federal em cabide para uma penca de políticos subitamente desempregados da sua coligação, que já deviam estar defenestrados (pelo voto, como foram) da nossa vida pública há muito tempo.


É bom não esquecer que Serra não apresentou qualquer programa. Mas seu último ato significativo no governo de S. Paulo foi a privatização da Nossa Caixa, brecada porque adquirida pelo Banco do Brasil. Isso é um bom prognóstico para o que vai acontecer com o Banco do Brasil. Caixa Econômica Federal, Petrobrás, etc.

Ao invés de programas, Serra distribuiu gestos e palavras a esmo. Dizer que quem fuma é contra Deus, puxar Ave Maria em missa, falar em austeridade fiscal e ao mesmo tempo prometer aumentos vertiginosos do salário mínimo, dizer que tem preocupação ambiental e ao mesmo tempo prometer no Pará que vai mexer na legislação que protege a Amazônia não é um programa nem um bom começo para quem quer alardear honestidade política e coerência.


E por aí se vai.

Dilma, por sua vez, defende um programa (que pôs em prática) ao mesmo tempo social e austero, demonstrou ser uma candidata de idéias próprias e não um factóide de si mesmo que fica esgrimindo promessas a torto (sobretudo) e a direito. Foi atacada, caluniada, difamada e manteve a linha o tempo inteiro (ao contrário de Serra, que seguido perdeu a linha quando confrontado com perguntas incômodas), não recorreu a esses golpes baixos tão típicos das campanhas da direita. Não é o caso de se concordar com ela em tudo. Mas Dilma é diálogo.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

PORQUE DILMA ?

Dilma, que tem, sobretudo, um coração sensível, pode levar adiante a reconstrução de nosso povo, para o bem da democracia plena e verdadeira.


Porque queremos que esta nova luz que começou a brilhar no olhar de milhões de brasileiros, como sinal de afirmação humana e cidadã, continue a brilhar sempre mais. Porque queremos que esta autoestima que se afirma no coração e na mente de um povo por tanto tempo humilhado e excluído se consolide e afugente para sempre o triste “complexo de vira-latas” que vitimou aqueles que diziam nos representar. Porque sabemos que a chave e a questão mais profunda do atual debate eleitoral é esta: a emergência de uma nova consciência, de um novo posicionamento de milhões de pessoas mantidas até aqui cuidadosamente “em seu lugar”, destinadas apenas a reproduzir a riqueza e a reproduzir o pensamento, usos e costumes dos senhores e dos “formadores de opinião”. O significado do governo deste presidente, que desconcerta tanto os seguidores dos velhos manuais, vai muito além do novo posicionamento do Brasil na comunidade internacional; vai muito além da implementação deste modelo econômico que nos permitiu crescer e ao mesmo tempo distribuir renda e retirar milhões da miséria. Vai muito além dos benefícios sociais e de tantas conquistas obtidas pelas maiorias e minorias marginalizadas, levando mais de 30 milhões de brasileiros a ingressar na classe média. Todas elas são, por certo, muito importantes e constituem base material que assegura o apoio ao presidente e a seu governo, mesmo após anos seguidos da mais dura e absolutamente livre crítica, muitas vezes infundada, desrespeitosa e eivada de vil preconceito. Na verdade, o significado mais profundo do exercício do governo por este “sobrevivente da tribulação”, com todos os seus limites e erros, é esta ruptura que ocorre quando a população percebe que “um de nós” mostra ser possível ultrapassar muros antes intransponíveis. Porque esta relação com um presidente que representa as maiorias não só por ter sido eleito mas por “ser um dos nossos” produziu no nosso povo um fenômeno inédito, de identificação que teve consequências de difícil avaliação. Porque esta identificação não ficou apenas na simples contemplação, mas na assunção efetiva de um novo papel que as grandes maiorias passaram a exercer. Essa gente começa a ocupar seu novo lugar e a exigir a vigência de uma democracia verdadeira, em que novos direitos são conquistados e partilhados, sem guerras, mas com muita firmeza. Esse povo começa a pisar em terrenos antes proibidos, do Palácio do Planalto às poltronas dos aviões, dos supermercados e lojas de eletrodomésticos às universidades, teatros e cinemas… Essa gente começa a pensar com cabeça própria. E aí não tem volta. É, de fato, muito difícil para a casa grande, particularmente para seus áulicos, admitir que a senzala se moveu e que não se sabe onde isso pode parar. Isso explica a raiva destilada em tantos textos de iluminados e donos da verdade… É justamente este processo do nosso povo, com o qual sempre sonhamos, e que apenas começa, que queremos ver continuar… E Dilma, que não tem um projeto pessoal, mas que se entrega a um projeto coletivo; Dilma, que tem toda a energia deste povo com quem passou a conviver; que tem grande competência, forjada em tantos anos de trabalho, e que tem, sobretudo, um coração sensível, pode levar adiante esta reconstrução de nosso povo e do nosso país. Para o bem da democracia plena e verdadeira. Para o bem da paz social, do respeito aos direitos de todos e para a queda de tantos muros que até aqui separam irmãos. Por isso, Dilma!


GILBERTO CARVALHO, 59, é chefe de gabinete da Presidência da República.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Sinais trocados

Por: Leandro Fortes (revista Carta Capital)

Em 30 de janeiro de 2001, o peemedebista Michel Temer, então presidente da Câmara dos Deputados, enviou um ofício ao Banco Central, comandado à época pelo economista Armínio Fraga. Queria explicações sobre um caso escabroso. Naquele mesmo mês, por cerca de 20 dias, os dados de quase 60 milhões de correntistas brasileiros haviam ficado expostos à visitação pública na internet, no que é, provavelmente uma das maiores quebras de sigilo bancário da história do País. O site responsável pelo crime, filial brasileira de uma empresa argentina, se chamava Decidir.com e, curiosamente, tinha registro em Miami, nos Estados Unidos, em nome de seis sócios. Dois deles eram empresárias brasileiras: Verônica Allende Serra e Verônica Dantas Rodenburg.

Ironia do destino, a advogada Verônica Serra, 41 anos, é hoje a principal estrela da campanha política do pai, José Serra, justamente por ser vítima de uma ainda mal explicada quebra de sigilo fiscal cometida por funcionários da Receita Federal. A violação dos dados de Verônica tem sido extensamente explorada na campanha eleitoral. Serra acusou diretamente Dilma Rousseff de responsabilidade pelo crime, embora tenha abrandado o discurso nos últimos dias.

Naquele começo de 2001, ainda durante o segundo mandato do presidente FHC, Temer não haveria de receber uma reposta de Fraga. Esta, se enviada algum dia, nunca foi registrada no protocolo da presidência da Casa. O deputado deixou o cargo menos de um mês depois de enviar o ofício ao Banco Central e foi sucedido pelo tucano Aécio Neves, ex-governador de Minas Gerais, hoje candidato ao Senado. Passados nove anos, o hoje candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff garante que nunca mais teve qualquer informação sobre o assunto, nem do Banco Central nem de autoridade federal alguma. Nem ele nem ninguém.

Graças à leniência do governo FHC e à então boa vontade da mídia, que não enxergou, como agora, nenhum indício de um grave atentado contra os direitos dos cidadãos, a história ficou reduzida a um escândalo de emissão de cheques sem fundos por parte de deputados federais.

Temer decidiu chamar o Banco Central às falas no mesmo dia em que uma matéria da Folha de São Paulo informava que, graças ao passe livre do Decidir.com, era possível a qualquer um acessar não só os dados bancários de todos os brasileiros com conta corrente ativa, mas também o Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF), a chamada “lista negra”do BC. Com base nessa facilidade, o jornal paulistano acessou os dados bancários de 692 autoridades brasileiras e se concentrou na existência de 18 deputados enrolados com cheques sem fundos, posteriormente constrangidos pela exposição pública de suas mazelas financeiras.

Entre esses parlamentares despontava o deputado Severino Cavalcanti, então do PPB (atual PP) de Pernambuco, que acabaria por se tornar presidente da Câmara dos Deputados, em 2005, com o apoio da oposição comandada pelo PSDB e pelo ex-PFL (atual DEM). Os congressistas expostos pela reportagem pertenciam a partidos diversos: um do PL, um do PPB, dois do PT, três do PFL, cinco do PSDB e seis do PMDB. Desses, apenas três permanecem com mandato na Câmara, Paulo Rocha (PT-PA), Gervásio Silva (DEM-SC) e Aníbal Gomes (PMDB-CE). Por conta da campanha eleitoral, CartaCapital conseguiu contato com apenas um deles, Paulo Rocha. Via assessoria de imprensa, ele informou apenas não se lembrar de ter entrado ou não com alguma ação judicial contra a Decidir.com por causa da quebra de sigilo bancário.

Na época do ocorrido, a reportagem da Folha ignorou a presença societária na Decidir.com tanto de Verônica Serra, filha do candidato tucano, como de Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity. Verônica D. e o irmão Dantas foram indiciados, em 2008, pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal, por crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal, formação de quadrilha, gestão fraudulenta de instituição financeira e empréstimo vedado. Verônica também é investigada por participação no suborno a um delegado federal que resultou na condenação do irmão a dez anos de cadeia. E também por irregularidades cometidas pelo Opportunity Fund: nos anos 90, à revelia das leis brasileiras, o fundo operava dinheiro de nacionais no exterior por meio de uma facilidade criada pelo BC chamada Anexo IV e dirigida apenas a estrangeiros.

A forma como a empresa das duas Verônicas conseguiu acesso aos dados de milhões de correntistas brasileiros, feita a partir de um convênio com o Banco do Brasil, sob a presidência do tucano Paolo Zaghen, é fruto de uma negociação nebulosa. A Decidir.com não existe mais no Brasil desde março de 2002, quando foi tornada inativa em Miami, e a dupla tem se recusado, sistematicamente, a sequer admitir que fossem sócias, apesar das evidências documentais a respeito. À época, uma funcionária do site, Cíntia Yamamoto, disse ao jornal que a Decidir.com dedicava-se a orientar o comércio sobre a inadimplência de pessoas físicas e jurídicas, nos moldes da Serasa, empresa criada por bancos em 1968. Uma “falha”no sistema teria deixado os dados abertos ao público. Para acessá-los, bastava digitar o nome completo dos correntistas.

A informação dada por Yamamoto não era, porém, verdadeira. O site da Decidir.com, da forma como foi criado em Miami, tinha o seguinte aviso para potenciais clientes interessados em participar de negócios no Brasil: “encontre em nossa base de licitações a oportunidade certa para se tornar um fornecedor do Estado”. Era, por assim dizer, um balcão facilitador montado nos Estados Unidos que tinha como sócias a filha do então ministro da Saúde, titular de uma pasta recheada de pesadas licitações, e a irmã de um banqueiro que havia participado ativamente das privatizações do governo FHC.

A ação do Decidir.com é crime de quebra de sigilo fiscal. O uso do CCF do Banco Central é disciplinado pela Resolução 1.682 do Conselho Monetário Nacional, de 31 de janeiro de 1990, que proíbe divulgação de dados a terceiros. A divulgação das informações também é caracterizada como quebra de sigilo bancário pela Lei n˚ 4.595, de 1964. O Banco Central deveria ter instaurado um processo administrativo para averiguar os termos do convênio feito entre a Decidir.com e o Banco do Brasil, pois a empresa não era uma entidade de defesa do crédito, mas de promoção de concorrência. As duas também deveriam ter sido alvo de uma investigação da polícia federal, mas nada disso ocorreu. O ministro da Justiça de então era José Gregori, atual tesoureiro da campanha de Serra.

A inércia do Ministério da Justiça, no caso, pode ser explicada pelas circunstâncias políticas do período. A Polícia Federal era comandada por um tucano de carteirinha, o delgado Agílio Monteiro Filho, que chegou a se candidatar, sem sucesso, à Câmara dos Deputados em 2002, pelo PSDB. A vida de Serra e de outros integrantes do partido, entre os quais o presidente Fernando Henrique, estava razoavelmente bagunçada por conta de outra investigação, relativa ao caso do chamado Dossiê Cayman, uma papelada falsa, forjada por uma quadrilha de brasileiros em Miami, que insinuava a existência de uma conta tucana clandestina no Caribe para guardar dinheiro supostamente desviado das privatizações. Portanto, uma nova investigação a envolver Serra, ainda mais com a família de Dantas a reboque, seria politicamente um desastre para quem pretendia, no ano seguinte, se candidatar à Presidência. A morte súbita do caso, sem que nenhuma autoridade federal tivesse se animado a investigar a monumental quebra de sigilo bancário não chega a ser, por isso, um mistério insondável.

Além de Temer, apenas outro parlamentar, o ex-deputado bispo Wanderval, que pertencia ao PL de São Paulo, se interessou pelo assunto. Em fevereiro de 2001, ele encaminhou um requerimento de informações ao então ministro da Fazenda, Pedro Malan, no qual solicitava providências a respeito do vazamento de informações bancárias promovido pela Decidir.com. Fora da política desde 2006, o bispo não foi encontrado por CartaCapital para informar se houve resposta. Também procurada, a assessoria do Banco Central não deu qualquer informação oficial sobre as razões de o órgão não ter tomado medidas administrativas e judiciais quando soube da quebra de sigilo bancário.

Fundada em 5 de março de 2000, a Decidir.com foi registrada na Divisão de Corporações do estado da Flórida, com endereço em um prédio comercial da elegante Brickell Avenue, em Miami. Tratava-se da subsidiária americana de uma empresa de mesmo nome criada na Argentina, mas também com filiais no Chile (onde Verônica Serra nasceu, em 1969, quando o pai estava exilado), México, Venezuela e Brasil. A diretoria-executiva registrada em Miami era composta, além de Verônica Serra, por Verônica Dantas, do Oportunity, Brian Kim, do Citibank, e por mais três sócios da Decidir.com da Argentina, Guy Nevo, Esteban Nofal e Esteban Brenman. À época, o Citi era o grande fiador dos negócios de Dantas mundo afora. Segundo informação das autoridades dos Estados Unidos, a empresa fechou dois anos depois, em 5 de março de 2002. Manteve-se apenas em Buenos Aires, mas com um novo slogan: “com os nossos serviços você poderá concretizar negócios seguros, evitando riscos desnecessários”.

Quando se associou a Verônica D. Na Decidir.com, em 2000, Verônica S. era diretora para a América Latina da companhia de investimentos International Real Returns (IRR), de Nova York, que administrava uma carteira de negócios de 660 bilhões de dólares. Advogada formada pela Universidade de São Paulo, com pós-graduação em Harvard, nos EUA, Verônica S. Também se tornou conselheira de uma série de companhias dedicadas ao comércio digital na América Latina, entre elas a Patagon.com, Chinook.com, TokenZone.com, Gemelo.com, Edgix, BB2W, Latinarte.com, Movilogic e Endeavor Brasil. Entre 1997 e 1998, havia sido vice-presidente da Leucadia National Corporation, uma companhia de investimentos de 3 bilhões de dólares especializada nos mercados da América Latina, Ásia e Europa. Também foi funcionária do Goldman Sachs, em Nova York.

Verônica S. ainda era sócia do pai na ACP – Análise da Conjuntura Econômica e Perspectivas Ltda, fundada em 1993. A empresa funcionava em um escritório no bairro da Vila Madalena, em São Paulo, cujo proprietário era o cunhado do candidato tucano, Gregório Marin Preciado, ex-integrante do conselho de administração do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), nomeado quando Serra era secretário de Planejamento do governo de São Paulo, em 1993. Preciado obteve uma redução de dívida no Banco do Brasil de 448 milhões de reais para irrisórios 4,1 milhões de reais no governo FHC, quando Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-arrecadador de campanha de Serra, era diretor da área internacional do BB e articulava as privatizações.

Por coincidência, as relações de Verônica S. com a Decidir.com e a ACP fazem parte do livro Os Porões da Privataria, a ser lançado pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr. Em 2011.

De acordo com o texto de Ribeiro Jr., a Decidir.com foi basicamente financiada, no Brasil, pelo Banco Opportunity com um capital de 5 milhões de dólares. Em seguida, transferiu-se, com o nome de Decidir International Limited, para o escritório do Ctco Building, em Road Town, Ilha de Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas, famoso paraíso fiscal no Caribe. De lá, afirma o jornalista, a Decidir.com internalizou 10 milhões de reais em ações da empresa no Brasil, que funcionava no escritório da própria Verônica S. A essas empresas deslocadas para vários lugares, mas sempre com o mesmo nome, o repórter apelida, no livro, de “empresas-camaleão”.

Oficialmente, Verônica S. e Verônica D. abandonaram a Decidir.com em março de 2001 por conta do chamado “estouro da bolha” da internet – iniciado um ano antes, em 2000, quando elas se associaram em Miami. A saída de ambas da sociedade coincide, porém, com a operação abafa que se seguiu à notícia sobre a quebra de sigilo bancário dos brasileiros pela companhia. Em julho de 2008, logo depois da Operação Satiagraha, a filha de Serra chegou a divulgar uma nota oficial para tentar descolar o seu nome da irmã de Dantas. “Não conheço Verônica Dantas, nem pessoalmente, nem de vista, nem por telefone, nem por e-mail”, anunciou.

Segundo ela, a irmã do banqueiro nunca participou de nenhuma reunião de conselho da Decidir.com. Os encontros mensais ocorriam, em geral, em Buenos Aires. Verônica Serra garantiu que a xará foi apenas “indicada”pelo Consórcio Citibank Venture Capital (CVC)/Opportunity como representante no conselho de administração da empresa fundada em Miami. Ela também negou ter sido sócia da Decidir.com, mas apenas “representante”da IRR na empresa. Mas os documentos oficiais a desmentem.

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/destaques_carta_capital/sinais-trocados

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O BRASIL NO RUMO CERTO

Por: Delúbio Soares

O Brasil, enfim, encontra seu futuro e ocupa o lugar que nos estava reservado desde sempre. Chegamos ao seleto grupo das oito maiores economias do mundo, ultrapassando a Espanha, dando um salto quantitativo na economia e qualitativo nos indicadores sociais que nos dão a segurança da recuperação de décadas de tempo perdido que foi recuperado pelo governo do presidente Lula. Brevemente, seremos a quinta economia mundial.

Não foi um passe de mágica e nem obra do acaso. Não existe fórmula miraculosa e nem “surfamos” em onda alguma. O Brasil está sendo governado com competência e seriedade, com visão de futuro e pés no chão, com humanismo e responsabilidade social. Uma equipe trabalhadora, comandada por um Estadista, vindo do Brasil profundo, das raízes de nosso povo mais sofrido, auxiliado diretamente pela ministra Dilma Rousseff, uma competentíssima executiva com larga experiência na gestão pública, que realizou em dois mandatos presidenciais uma revolução social e econômica que o Brasil merecia, precisava e cobrava de seus líderes políticos e de sua classe dirigente.


Muitos tiveram a oportunidade de fazê-lo, mas não o fizeram. Pior: fizeram ao contrário e na contramão dos interesses mais legítimos do Brasil. Privatizaram as melhores empresas da União a valores risíveis, dando imenso prejuízo ao patrimônio de nosso povo. Pioraram os indicadores sociais, achataram os salários, promoveram o rebaixamento das condições de vida da classe média e levaram os que viviam na pobreza ao limiar da miséria. Os anos anteriores ao governo do presidente Lula são a crônica de como empobrecer um país e levar seu povo à miséria. A comprovação disso são os vexatórios percentuais alcançados nas pesquisas de intenção de voto pelo candidato que representa esse tempo e essa maneira de governar e de maltratar país e povo…

Mas os tempos são outros e o país vive a chegada de sua primavera de Nação desenvolvida e às portas do primeiro mundo. Apenas seis anos separam o país da erradicação total da pobreza extrema. A trilha já foi aberta pelo metalúrgico que chegou a presidente e mudou a história de seu país, basta segui-la com a mesma preocupação social e seriedade.

Só em 2010, o Brasil já cresceu no primeiro trimestre 2,7%, comparados aos três últimos meses de 2009. Atingimos o ritmo chinês de crescimento, especialmente na região nordeste, nossa área mais carente. O Brasil cresceu a 8,9% no primeiro semestre do ano, perdendo apenas para a China, mas chegaremos a ultrapassá-la! Se o Brasil crescer esta mesma taxa o ano todo, ao final de 2010 teremos um índice espetacular de crescimento de 11,2%.


A turma do contra diz que um crescimento econômico nestes níveis não se sustenta em uma estrutura como a brasileira. Nesta semana, a PNAD, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, de 2009 mostra que, com o crescimento acelerado e sustentável do PIB, todos os demais indicadores crescem e corroboram com a sustentação da economia nas melhores taxas mundiais de crescimento.

Em apenas um ano, a renda média do trabalhador cresceu 2,2%. O número de trabalhadores com carteira assinada é o mais alto da nossa história, 59,6% da população. A escolaridade, mola propulsora e objetivo-fim de qualquer Estado que almeja o desenvolvimento pleno da sociedade, também mostra sinais inequívocos de um crescimento insuspeito. Em 2009, o total de pessoas que possui nível superior atingiu 11,1%. Em alguns poucos anos, os maciços investimentos do governo Lula em universidades federais, 14 em oito anos de governo – mais que todos os seus antecessores juntos em quinhentos anos – e o Prouni, hoje, algo em torno de 160 mil, asseguram o ritmo acelerado de pessoas que em poucos anos passam a ter o tão sonhado diploma universitário. Quem vê no Prouni a chance para mudar de vida não perde tempo. No ano passado, o meu querido Goiás foi o Estado do Centro-Oeste que mais ofertou bolsas do Prouni: 7985. São quase 8 mil oportunidades para quem vê a mudança do Brasil nos últimos anos e quer se especializar para não perder a chance de crescer, de se formar, de ter o seu diploma e ajudar a construir o Brasil ao construir sua carreira acadêmica!

Aliás, diferenciar números de pessoas, é o forte de um govenro humanista, de um governo que cuida das pessoas, que não fala somente em “choque de gestão”, mas trabalha por “melhoria de qualidade de vida”. Eis o que separa o governo Lula de seus antecessores tucanos. Antes de Lula, governos se preocupavam apenas com números e planilhas. São as pessoas que mudam de vida e transformam um o país, não apenas os números.

No último ano antes de Lula, o PIB brasileiro cresceu apenas 1,93%, índice ridículo e pífio para um país das dimensões e riquezas do Brasil. Eram períodos outros, em que a mentalidade daqueles que governavam o país era alimentada apenas pela vonta imperiosa do tacão do FMI. Era o Brasil de FHC e dos tucanos, o Brasil das falências, das quebradeiras, das filas do desemprego, dos empresários desrespeitados em seus reclamos e dos trabalhadores aviltados em seus direitos. O povo não era levado em conta. Mas os momentos são outros, com outras pessoas no comando de uma das vigorosas economias do planeta e uma nova forma de pensar o Brasil. O resultado é um país decente, rumando firme e forte para o futuro. O Brasil está no rumo certo, seguro do caminho que trilha e do objetivo a ser alcançado: desenvolvimento com democracia e justiça social.

Delúbio Soares é professor.

Consolidar a ruptura histórica

Por: Leonardo Boff

Para mim o significado maior desta eleição é consolidar a ruptura que Lula e o PT instauraram na história política brasileira. Derrotaram as elites econômico-financeiras e seu braço ideológico a grande imprensa comercial. Notoriamente, elas sempre mantiveram o povo à margem da cidadania, feito, na dura linguagem de nosso maior historiador mulato, Capistrano de Abreu,”capado e recapado, sangrado e ressangrado”. Elas estiveram montadas no poder por quase 500 anos. Organizaram o Estado de tal forma que seus privilégios ficassem sempre salvaguardados. Por isso, segundo dados do Banco Mundial, são aquelas que, proporcionalmente, mais acumulam no mundo e se contam, política e socialmente, entre as mais atrasadas e insensíveis. São vinte mil famílias que, mais ou menos, controlam 46% de toda a riqueza nacional, sendo que 1% delas possui 44% de todas as terras. Não admira que estejamos entre os países mais desiguais do mundo, o que equivale dizer, um dos mais injustos e perversos do planeta.

Até a vitória de um filho da pobreza, Lula, a casa grande e a senzala constituíam os gonzos que sustentavam o mundo social das elites. A casa grande não permitia que a senzala descobrisse que a riqueza das elites fôra construída com seu trabalho superexplorado, com seu sangue e suas vidas, feitas carvão no processo produtivo. Com alianças espertas, embaralhavam diferentemente as cartas para manter sempre o mesmo jogo e, gozadores, repetiam: “façamos nós a revolução antes que o povo a faça”. E a revolução consistia em mudar um pouco para ficar tudo como antes. Destarte, abortavam a emergência de um outro sujeito histórico de poder, capaz de ocupar a cena e inaugurar um tempo moderno e menos excludente. Entretanto, contra sua vontade, irromperam redes de movimentos sociais de resistência e de autonomia. Esse poder social se canalizou em poder político até conquistar o poder de Estado.

Escândalo dos escândalos para as mentes súcubas e alinhadas aos poderes mundiais: um operário, sobrevivente da grande tribulação, representante da cultura popular, um não educado academicamente na escola dos faraós, chegar ao poder central e devolver ao povo o sentimento de dignidade, de força histórica e de ser sujeito de uma democracia republicana, onde “a coisa pública”, o social, a vida lascada do povo ganhasse centralidade. Na linha de Gandhi, Lula anunciou: “não vim para administrar, vim para cuidar; empresa eu administro, um povo vivo e sofrido eu cuido”. Linguagem inaudita e instauradora de um novo tempo na política brasileira. A “Fome Zero”, depois a “Bolsa Família”, o “Crédito consignado”, o “Luz para todos”, a “Minha Casa, minha Vida, a “Agricultura familiar, o “Prouni”, as “Escolas profissionais”, entre outras iniciativas sociais permitiram que a sociedade dos lascados conhecesse o que nunca as elites econômico-financeiras lhes permitiram: um salto de qualidade. Milhões passaram da miséria sofrida à pobreza digna e laboriosa e da pobreza para a classe média. Toda sociedade se mobilizou para melhor.

Mas essa derrota inflingida às elites excludentes e anti-povo, deve ser consolidada nesta eleição por uma vitória convincente para que se configure um “não retorno definitivo” e elas percam a vergonha de se sentirem povo brasileiro assim como é e não como gostariam que fosse. Terminou o longo amanhecer.

Houve três olhares sobre o Brasil. Primeiro, foi visto a partir da praia: os índios assistindo a invasão de suas terras. Segundo, foi visto a partir das caravelas: os portugueses “descobrindo/encobrindo” o Brasil. O terceiro, o Brasil ousou ver-se a si mesmo e aí começou a invenção de uma república mestiça étnica e culturalmente que hoje somos. O Brasil enfrentou ainda quatro duras invasões: a colonização que dizimou os indígenas e introduziu a escravidão; a vinda dos povos novos, os emigrantes europeus que substituíram índios e escravos; a industrialização conservadora de substituição dos anos 30 do século passado, mas que criou um vigoroso mercado interno e, por fim,  a globalização econômico-financeira, inserindo-nos como sócios menores.

Face a esta história tortuosa, o Brasil se mostrou resiliente, quer dizer, enfrentou estas visões e intromissões, conseguindo dar a volta por cima e aprender de suas desgraças. Agora está colhendo os frutos.

Urge derrotar aquelas forças reacionárias que se escondem atrás do candidato da oposição. Não julgo a pessoa, coisa de Deus, mas o que representa como ator social. Celso Furtado, nosso melhor pensador em economia, morreu deixando uma advertência, título de seu livro *A construção interrompida*(1993):”Trata-se de saber se temos um futuro como nação que conta no devir humano. Ou se prevalecerão as forças que se empenham em interromper o nosso processo histórico de formação de um Estado-Nação”(p.35). Estas não podem prevalecer. Temos condições de completar a construção do Brasil, derrotando-as com Lula e as forças que realizarão o sonho de Celso Furtado e o nosso.

Leonardo Boff é teólogo, escritor e professor universitário.

Coimbra: bomba do sigilo foi um traque

Marcos Coimbra: a “bomba” contra Dilma teve impacto nulo - 08/09/2010

Quem, nas duas últimas semanas, leu os colunistas dos “grandes jornais” (os três maiores de São Paulo e Rio) deve ter notado a insistência com que falaram (ou deixaram implícito) que as eleições presidenciais não estavam definidas. Contrariando o que as pesquisas mostravam (a avassaladora dianteira de Dilma), fizeram quase um coro de que “nada era definitivo”, pois fatos novos poderiam alterar o cenário.

Por Marcos Coimbra*, no Correio Braziliense

Talvez imaginassem (desconfiassem, soubessem) que uma “bomba” iria explodir. Tão poderosa que mudaria tudo. De favorita inconteste, Dilma (quem sabe?) desmoronaria, viraria poeira.


Veio o fato novo: o “escândalo da Receita”. Durante dias, foi a única manchete dos três jornais. É muito? Certamente que sim, mas é pouco, em comparação ao auxílio luxuoso da principal emissora de televisão do país. Fazia tempo que um evento do mundo político não ganhava tanto destaque em seus telejornais. Houve noites em que recebeu mais de 10 minutos de cobertura (com direito a ser tratado com o tom circunspecto que seus apresentadores dedicam aos “assuntos graves”).


Hoje, passados 15 dias de quando “estourou” o “escândalo”, as pesquisas mostram que seu impacto foi nulo. A “bomba” esperada pelos que torciam pelo fato novo virou um traque.


Por mais que os “grandes” jornais tenham se esforçado para fazer do “escândalo da Receita” um divisor de águas, ele acabou sendo nada. Tudo continuou igual: Dilma lá na frente, Serra lá atrás.


Tivemos, nesses dias, uma espécie de dueto: um dia, essa imprensa publicava alguma coisa; no outro, a comunicação da campanha Serra a amplificava, dando-lhe “tom emocional”. No terceiro, mais um “fato” era divulgado, alimentando a campanha com um novo conteúdo. E assim por diante.


Um bom exemplo: o “lado humano” da filha de Serra ser alvo dos malfeitores por trás do “escândalo”. Noticiado ontem, virou discurso de campanha no dia seguinte, com direito a tom lacrimejante: “estão fazendo com a filha do Serra o mesmo que fizeram com a filha do Lula”.


Há várias razões para que a opinião pública tenha tratado com indiferença o “escândalo”. A primeira é que ele, simplesmente, não atingiu a imensa maioria do eleitorado, por lhe faltarem os ingredientes necessários a se tornar interessante. O mais óbvio: o que, exatamente, estava sendo imputado a Dilma na história toda? Se, há mais de ano, alguém violou o sigilo tributário de Verônica Serra e de outras pessoas ligadas ao PSDB, o que a candidata do PT tem a ver com isso? É culpa dela? Foi a seu mando? Em que sua candidatura se beneficiou?


A segunda razão tem a ver, provavelmente, com a dificuldade de convencer as pessoas que o episódio comprove o “aparelhamento do Estado pelo PT” ou, nas palavras do candidato tucano, a “instrumentalização” do governo pelo partido. Será que é isso mesmo que ele revela?


Se a Receita Federal fosse “aparelhada” ou “instrumentalizada”, por que alguém, a mando do PT (ou da campanha), precisaria recorrer a um estratagema tão tosco? Por que se utilizaria dos serviços de um despachante, mancomunado com funcionários desonestos? Não seria muito mais rápido e barato acessar diretamente os dados de quem quer que seja?


Não se discute aqui se alguém quis montar um dossiê anti-Serra ou se ele chegou a existir. Sobre isso, sabemos duas coisas: 1) é prática corrente na política brasileira (e mundial) a busca de informações sobre adversários, que muitas vezes ultrapassa os limites legais; 2) o tal dossiê nunca foi usado. As vicissitudes da candidatura Serra ao longo da eleição não têm nada a ver com qualquer dossiê.


O próprio “escândalo” mostra que a Receita Federal possui sistemas que permitem constatar falhas de segurança, rastrear onde ocorrem e identificar responsáveis. É possível que, às vezes, alguém consiga driblá-los. No caso em apreço, não.


No mundo perfeito, a Receita é inexpugnável, não existem erros médicos na saúde pública, todos os professores são competentes, não há guardas de trânsito que aceitam uma “cervejinha”. Na vida real, nada disso é uma certeza.


Todos esperam que o governo faça o que deve fazer no episódio (e em todas as situações do gênero): investigue as falhas e puna os responsáveis. Ir além, fazendo dele um “escândalo eleitoral”, é outra coisa, que não convence, pelo que parece, a ninguém.


* Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Dilma abre 24 pontos de vantagem sobre Serra na pesquisa Ibope.

Após dez dias de exposição dos candidatos à Presidência no horário eleitoral, a petista Dilma Rousseff abriu 24 pontos de vantagem sobre o tucano José Serra. Se a eleição fosse hoje, ela venceria no primeiro turno, com 59% dos votos válidos.

28 de agosto de 2010

Segundo pesquisa Ibope/Estado/TV Globo, Dilma chegou a 51% das intenções de voto, um crescimento de oito pontos porcentuais em relação ao levantamento anterior do mesmo instituto, feito às vésperas do início da propaganda eleitoral.

Desde então, Serra passou de 32% para 27%. Marina Silva, do PV, oscilou de 8% para 7%. Somados, os adversários da petista têm 35 pontos, 16 a menos do que ela.


A performance de Dilma já se equipara à de Luiz Inácio Lula da Silva na campanha de 2006. Na época, no primeiro turno, o então candidato petista teve 59% dos votos válidos como teto nas pesquisas.


Geografia do voto. Dilma ultrapassou Serra em São Paulo (42% a 35%) e tem o dobro de votos do adversário (51% a 25%) em Minas Gerais - respectivamente primeiro e segundo maiores colégios eleitorais do País.

No Rio de Janeiro, terceiro Estado com a maior concentração de eleitores, a candidata do PT abriu nada menos do que 41 pontos de vantagem em relação ao tucano (57% a 16%).

Na divisão do eleitorado por regiões, Dilma registra a liderança mais folgada no Nordeste, onde tem mais que o triplo de votos do rival (66% a 20%%). No Sudeste, ela vence por 44% a 30%, e no Norte/Centro-Oeste, por 56% a 24%.

A Região Sul é a única em que há empate técnico: Dilma tem 40% e Serra, 35%. A margem de erro específica para a amostra de eleitores dessa região chega a cinco pontos porcentuais. Mas também entre os sulistas se verifica a tendência de crescimento da petista: ela subiu cinco pontos porcentuais na região, e o tucano caiu nove.


Ricos e pobres. A segmentação do eleitorado por renda mostra que a candidata do PT tem melhor desempenho entre os mais pobres. Dos que têm renda familiar de até um salário mínimo, 58% manifestam a intenção de votar nela, e 22% em Serra.


Na faixa de renda logo acima - de um a dois salários mínimos -, o placar é de 53% a 26%. Há um empate entre a petista (39%) e o tucano (38%) no eleitorado com renda superior a cinco salários.

Também há empate técnico entre ambos no segmento da população que cursou o ensino superior. Nas demais faixas de escolaridade, Dilma vence com 25 a 28 pontos de vantagem.

A taxa de rejeição à candidata petista oscilou dois pontos para baixo, mas se mantem praticamente a mesma desde junho, próxima dos 17%. No caso do candidato tucano, 27% afirmam que não votariam nele em nenhuma hipótese.

A disparada da candidata apoiada pelo presidente Lula disseminou a expectativa de que ela vença a eleição. Para dois terços da população, a ex-ministra tomará posse em janeiro como sucessora do atual presidente. Apenas 19% dos eleitores acham que Serra será o vitorioso.

Mulheres. Com boa parte de sua propaganda direcionada à conquista do eleitorado feminino - dando destaque à possibilidade de uma mulher assumir pela primeira vez a Presidência -, Dilma cresceu mais entre as mulheres (nove pontos) que entre os homens (cinco pontos).

Na simulação de segundo turno, a vantagem de Dilma entre as mulheres é agora praticamente a mesma que entre os homens, um fato inédito na campanha. O próprio Lula sempre teve mais votos entre os homens.

A pesquisa mostra que 57% dos eleitores já assistiram a pelo menos um programa do horário eleitoral.

Segundo o Ibope, 50% dos brasileiros preferem votar em um candidato apoiado pelo presidente, e 9% tendem a optar por um representante da oposição. Do total do eleitorado, 88% sabem que Dilma é a candidata de Lula.

O governo do presidente é considerado ótimo ou bom por 78% dos brasileiros. Outros 4% consideram a gestão Lula ruim ou péssima.


Fonte: http://www.estadao.com.br/








sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O colapso do PSDB

Por Vladimir Safatle


Há algo de melancólico na trajetória do PSDB. Talvez aqueles que, como eu, votaram no partido em seu início, lembrem do momento em que a então deputada conservadora Sandra Cavalcanti teve seu pedido de filiação negado. Motivo: divergência ideológica.

De fato, o PSDB nasceu, entre outras coisas, de uma tentativa de clarificação ideológica de uma parcela de históricos do MDB mais afeitos às temáticas da socialdemocracia européia.

Basta lembrarmos dos votos e discussões de um de seus líderes, Mario Covas, na constituinte. Boa parte deles iam na direção do fortalecimento dos sindicatos e da capacidade gerencial do Estado. Uma perspectiva contra a qual seu próprio partido voltou-se anos depois.

A história do PSDB parece ser a história do paulatino distanciamento desse impulso inicial. Ao chegarem ao poder federal, os partidos socialdemocratas que lhe serviram de modelo (como os trabalhistas ingleses e o SPD alemão) haviam começado um processo irreversível de desmonte das conquistas sociais que eles mesmos realizaram décadas atrás. Um desmonte que foi acompanhado pela absorção de suas agendas políticas por temáticas vindas da direita, como a segurança, a imigração, a diminuição da capacidade de intervenção do estado, entre outros.

Este movimento foi reproduzido pelo governo de Fernando Henrique Cardoso.

Assim, víamos uma geração de políticos que citavam, de dia, Marx, Gramsci, Celso Furtado e, à noite, procuravam levar a cabo o “desmonte do estado getulista”, “a quebra da sanha corporativa dos sindicatos”, ou “a defesa do Estado de direito contra os terroristas do MST”.

O resultado não foi muito diferente do que ocorreu com os partidos socialdemocratas europeus. Fracassos eleitorais se avolumaram, resultantes, principalmente, de uma esquizofrenia que os faziam ir cada vez mais à direita e, vez por outra, sentir nostalgia de traços ainda não totalmente extirpados de discursos classicamente socialdemocratas. No caso alemão, o SPD acabou prensado entre uma direita clara (CDU, FDP) e uma esquerda renovada (Die Linke).

No caso brasileiro, esta eleição demonstra tal lógica elevada ao paroxismo. Assistimos agora ao candidato do PSDB ensaiar, cada vez mais, um figurino de Carlos Lacerda bandeirante; com seu discurso pautado pela denúncia do aumento galopante da insegurança, do narcotráfico, do angelismo do governo com o terrorismo internacional das Farcs e, agora, o risco surreal de “chavismo” contra nossa democracia. Um figurino que não deixa de dar lugar, vez por outra, a uma defesa de que é de esquerda, de que recebeu palavras carinhosas de Leonel Brizola, de que vê em Lula alguém “acima do bem e do mal” etc.

Nesse sentido, o caráter errático de sua campanha não é apenas um traço de seu caráter ou um problema de cálculo de marketing.

Trata-se do capítulo final da dissolução ideológica de uma sigla que só teria alguma chance se tivesse ensaiado algo que o PS francês tenta hoje: reorientação programática a partir de um discurso mais voltado à esquerda e (algo que nunca um tucano terá a coragem de fazer) autocrítica em relação a erros do passado.

Fonte: blog do Favre.



Estimativas para 3 de outubro


26.08.2010


Por Marcos Coimbra

Do jeito como vão, as eleições presidenciais não devem nos reservar surpresas de reta final. Ao contrário. Salvo algo inusitado, elas logo adquirirão suas feições definitivas, talvez antes que cheguemos ao cabo da primeira quinzena de veiculação da propaganda eleitoral na tevê e no rádio.

Por várias razões, a provável vitória de Dilma Rousseff- em 3 de outubro será saudada como um resultado extraordinário. Ao que tudo indica, ela alcançará uma coisa que Lula não conseguiu nem quando disputou sua reeleição: vencer no primeiro turno. Não que levar a melhor dessa maneira seja fundamental, pois o próprio Lula mostrou ser possível ganhar apenas no segundo e se tornar o presidente mais querido de nossa história.

É preciso lembrar que Lula não a obteve em 2006 por pouco, apesar de sua imagem ainda sangrar com as feridas abertas pelo mensalão. Ele havia chegado aos últimos dias daquele setembro com vantagem suficiente para resolver tudo ali mesmo e só a perdeu quando sofreu um ataque sem precedentes de nossa “grande imprensa”.

Aproveitando-se do episódio dos “aloprados”, fazendo um carnaval de sua ausência no debate na Globo, ela balançou um eleitorado ainda traumatizado pelas denúncias de 2005. Lula deixou de vencer em 1º de outubro, o que, no fim das contas, terminou sendo ótimo para ele. No segundo turno, a vasta maioria da população concluiu o processo de sua absolvição, abrindo caminho para o que vimos de 2007 em diante: ele nunca mais caiu na aprovação popular e passou a bater um recorde de popularidade atrás de outro.

Com as pesquisas de agora, é difícil estimar com precisão quanto Dilma Rousseff poderá ter no voto válido. Não é impossível que alcance os 60% que Lula fez, no segundo turno, na última eleição. E ninguém estranharia se ela ultrapassasse os 54% que Fernando Henrique obteve em 1994, com o Plano Real e tudo.

Para fazer essas contas, é preciso levar em consideração diversos fatores. Um é quanto Marina Silva poderá alcançar, a partir dos cerca de 8% que tem hoje. Há quem imagine que ela ainda cresça, apesar do mísero tempo de televisão de que disporá. Com uma única inserção em horário nobre por semana e um tempo de programa praticamente idêntico ao dos candidatos pequenos, não é uma perspectiva fácil.

O segundo fator é o desempenho dos candidatos dos partidos menores, dos quais o mais relevante é Plínio de Arruda Sampaio. Muito mais que seus congêneres de extrema esquerda, ele pode se transformar em opção para a parcela de eleitores que vota de forma mais ideo-lógica ou que apenas quer expressar seu “protesto”. Embora as pesquisas a respeito desse tipo de eleitor não sejam conclusivas, isso pode, talvez, ocorrer em detrimento de Marina: à medida que Plínio subir, ela encolherá. O que não afetaria, portanto, o tamanho do eleitorado que não votará em Dilma ou Serra.

Para, então, projetar o tamanho da possível vitória de Dilma, o relevante é saber o piso de Serra. Se ele cairá, considerando seu patamar atual, próximo a 30%.

Só o mais otimista de seus partidários acredita (de verdade) que a presença de Lula na televisão será inútil para Dilma e que seu apelo direto ao eleitor não produzirá qualquer efeito. Ou seja, ninguém acredita que ela tenha já atingido seu teto, com os 45% que tem hoje.

O voto em Serra tem, no entanto, três fundamentos, todos, aparentemente, sólidos: 1. É um político respeitado no maior estado da federação, que governou, até outro dia, com larga aprovação. 2. Representa o eleitorado antipetista,- aquele que pode até tolerar Lula, mas que nunca votou e nunca votará no PT. 3. Tem uma imagem nacional positiva, conquistada ao longo da vida e, especialmente, quando foi ministro da Saúde.

De São Paulo deve sair com 45% dos votos, o que equivale a 10% do País. O antipetismo lhe dá mais cerca de 10% e a admiração por sua biografia no restante do eleitorado, outro tanto (tudo em números redondos).


Se essas contas estiverem corretas, Serra teria pouco a perder nas próximas semanas. Em outras palavras, já estaria, agora, perto de seu mínimo.


Fica simples calcular o resultado que, hoje, parece mais provável para 3 de outubro: Serra, 30%; Marina e os pequenos, 10%; brancos e nulos, entre 8% e 10% (considerando o que foram em 2006 e 2002, depois da universalização da urna eletrônica); Dilma, entre 50% e um pouco menos que 55%. Nos válidos: Marina (e os pequenos) 11%, Serra 33%, Dilma 56%.

Talvez seja arriscado fazer essas especulações. Talvez não, considerando quão previsível está sendo esta eleição.

Fonte: Carta Capital.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Direita à beira do precipício

Eleições atualizam a correlação de forças no legislativo. Isso vai significar, neste ano, na redução das bancadas dos partidos do núcleo da direita (PSDB e DEM) e no fortalecimento da base parlamentar da presidenta Dilma Rousseff.


Por José Carlos Ruy


O tempo político transcorre, nos parlamentos, em ritmo mais lento do que as mudanças vividas nas sociedades. Nas democracias de modelo ocidental, estas casas são como sítios arqueológicos de correlações de forças que existiram no passado. Principalmente no Senado pois, na Câmara dos Deputados, isto é relativizado. Além da renovação a cada quatro anos, ali existe a possibilidade da sintonia mais fina de muitos deputados e partidos que fazem daquela Casa uma espécie de caixa de ressonância das inquietações populares.

Já o Senado, com renovação mais lenta (os mandatos são de oito anos, e as eleições ocorrem a cada quatro anos, trocando 1/3 dos mandatos em uma e 2/3 em outra) e média de idade dos senadores mais alta, pode funcionar como um contrapeso para mudanças políticas maiores, contrapeso formado justamente pela permanência da correlação de forças ultrapassadas e que, devido aos longos mandatos de oito anos, mantém uma sobrevida em que o passado pode travar o futuro.

Este é o sentido da alteração dos objetivos eleitorais de demos e tucanos que, segundo os jornais, jogaram a toalha nesta eleição presidencial que as pesquisas de opinião dão como perdida para o candidato da oposição José Serra. Passam a privilegiar a disputa para o Senado, como recomendam a seus correligionários caciques da direita, em particular Fernando Henrique Cardoso e César Maia.

A escolha de novos senadores na eleição deste ano vai registrar o último suspiro da conjuntura política de 2002 ao renovar os mandatos ou mandar para casa os 54 mandatários eleitos naquele ano. Esta escolha se dará numa conjuntura nova e profundamente alterada pelas mudanças ocorridas desde que o presidente Lula assumiu, em 2003. O temor do cardinalato demo-tucano é perder aquelas posições que, fincadas na correlação de forças já ultrapassada de 2002, foram o bastião conservador contra as mudanças.

O ajuste da composição da Câmara dos Deputados e, principalmente, do Senado, com a nova correlação de forças que vai se constituindo, será - tudo indica - devastador para os partidos que formam o núcleo da oposição de direita, cujo desempenho é declinante desde 1998.

Declínio eleitoral


Em 1998 o então PFL (atual DEM) elegeu 90 deputados federais; foi caindo de eleição a eleição, chegando a 54 em 2006; calcula-se que agora elegerá, com sorte, 40 deputados federais, podendo perder o status de partido grande. O PSDB vive sorte semelhante: elegeu 83 em 1998 e 56 em 2006, e há quem considere que, no máximo, vai manter esse número na eleição deste ano.

No Senado, o cenário se repete. O DEM que, como PFL, elegeu cinco senadores em 1998, passou para 14 em 2002, caiu para seis em 2006 e, este ano, poderá eleger entre quatro ou cinco. O PSDB, por sua vez, passou de quatro em 1998 para oito em 2002, cinco em 2006 e este ano poderá eleger sete.

No saldo final, segundo a consultoria Patri, os partidos que apoiam a candidatura de Dilma Rousseff poderão formar uma base parlamentar de 342 deputados e 54 senadores, contra uma bancada da direita neoliberal e conservadora de 135 deputados e 31 senadores. São números que, se forem confirmados pelas urnas, darão uma confortável maioria parlamentar (2/3 nas duas casas legislativas) para o novo governo que, como as pesquisas indicam, será chefiado por Dilma Rousseff.


A reação da direita

Se a eleição deste ano terá uma particularidade, será a de registrar as mudanças ocorridas nos últimos oito anos. Elas são indicadas pelas tendências que as pesquisas eleitorais mostram e também pelos movimentos tectônicos que acometeram a oligarquia neoliberal, cujas bases que, no passado, foram verdadeiros currais eleitorais, hoje, migram para posições mais autônomas de afirmação democrática. Migração já visível nas últimas eleições, fazendo minguar principalmente as bases do DEM, com ênfase no interior do Nordeste.

A campanha eleitoral apenas confirma essa tendência. Há aqueles que desistiram de concorrer, como mostra o Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar). O DEM é o partido que tem maior número de deputados federais nessa situação pois temem o fracasso nas urnas. Da bancada de 56 deputados federais que o partido tem hoje, 13 desistiram. É um número alto: entre os 513 deputados que compõem a Câmara, apenas 34 não vão concorrer este ano, e os demos constituem mais de 1/3 deste número.

Outro exemplo da derrocada ocorre em Pernambuco onde o tucano infiltrado no PMDB, o senador Jarbas Vasconcelos, candidato ao governo do Estado, foi literalmente abandonado pela maioria dos prefeitos que o PSDB tem no estado. Dos 17 prefeitos tucanos em Pernambuco, 14 apóiam a candidatura do governador Eduardo Campos (PSB) à reeleição. "Aqui", reclama Jarbas, os tucanos "só têm criado dificuldade".

Senha para o golpe


No passado, quando viveu situação semelhante, a resposta dos conservadores não veio através das urnas, mas do golpe de Estado. A última eleição democrática ocorrida no Brasil antes de 1964 é um exemplo. Ela ocorreu em 7 de outubro de 1962 e confirmou a tendência de avanço político vivida desde o início da década de 1950, que se traduzia na diminuição da votação nos partidos conservadores e no grande crescimento do Partido Trabalhista Brasileiro, que era então o estuário das esperanças de mudança. E também do voto nas coligações, configurando o fracasso da organização partidária montada para garantir a hegemonia conservadora desde o final da ditadura do Estado Novo.


A eleição de 1962 revelou o crescimento mais acelerado do PTB em relação aos partidos conservadores (Partido Social Democrático - PSD, e União Democrática Nacional - UDN). Entre a eleição de 1950 e a de 1962, o número votos do PSD cresceu 8% e da UDN, 23%. O PTB teve mais votos que a UDN (1,7 milhão contra 1,6 milhão dos udenistas) e um avanço de 37% naqueles doze anos. Os votos em coligações explodiram: passaram de 1,6 milhão em 1950 a 5,9 milhões em 1962, representando um crescimento de 277%.

A direita percebeu aqueles resultados como uma grave ameaça para seus partidos (PSD e UDN), representada pelo fortalecimento da tendência de uma mudança profunda na correlação de forças. O presidente da República era o petebista João Goulart, ligado aos sindicatos e sensível às demandas populares; e a luta por reformas sociais crescia, refletindo-se naqueles resultados eleitorais. O Brasil era outro, ainda fortemente agrário, onde o poder das oligarquias latifundiárias era muito forte e os avanços democráticos enfrentavam os obstáculos representados pela aliança de proprietários que unia fazendeiros, banqueiros, industriais, parcela considerável do alto clero e da cúpula das Forças Armadas, além de representantes do imperialismo.

Naquele quadro, a avaliação que o general Golbery do Couto e Silva fez do resultado da eleição de 1962 foi uma espécie de senha para a articulação golpista que levou à derrubada de João Goulart em 1964 e ao início da ditadura que durou duas décadas. Ele enxergou uma tendência "comuno-petebista" que inviabiliza uma opção eleitoral para os conservadores, impondo uma saída à margem das instituições, como declarou ao jornal norte-americano The New York Times.

O fantasma de Hugo Chavez


Em nossos dias, a direita conservadora revive aquele mesmo desconforto, mas sua capacidade de ameaçar - e de mobilizar forças para transformar rosnados em fatos concretos - parece menor. À beira do precipício, a cúpula do PSDB, partido do candidato neoliberal José Serra, deixa a disputa eleitoral em segundo plano e prioriza as eleições para governador em quatro estados (São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Goiás) e para o Senado. Há mesmo, entre os tucanos, aqueles cujo realismo sugere a avaliação pessimista da iminência do naufrágio do partido se não tiver sucesso nestas eleições para governadores.

A opção pelo Senado tem para eles o sentido estratégico de manter ali sua trincheira contra as mudanças. Os jornais dizem que Fernando Henrique Cardoso tem sido claro a seus interlocutores dizendo que precisam manter uma bancada de senadores capaz de ser um contrapeso contra as ações da Presidência da República. A experiência dos últimos oito anos mostra exatamente o que o ex-presidente tucano quer dizer: manter no Senado a capacidade para impedir as mudanças e uma tribuna através da qual possam difundir mentiras com o objetivo de mobilizar a parte da população sensível a seu discurso retrógrado.

Outro dirigente da direita que faz uma desenvolta defesa dessa opção é o ex-prefeito carioca César Maia, do DEM que, como FHC, brande como ameaça a imagem do presidente venezuelano Hugo Chávez - o demônio da hora da direita - e diz, claramente, que o "jogo" agora é “o controle do Senado”.

Além de manter a presidência da República e a perspectiva de continuar e fazer avançar as mudanças iniciadas sob Lula, a eleição deste ano precisa dar outro passo fortalecendo as forças da mudança na Câmara dos Deputados e no Senado, derrotando a direita e seu plano de preservar sua capacidade de criar obstáculos para o avanço social e democrático no Brasil.

http://www.vermelho.org.br/

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

CNT/SENSUS: DILMA TEM VANTAGEM DE 17,9% SOBRE SERRA


24 de Agosto de 2010



Pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta quarta-feira, 24, indica que a candidata do PT, Dilma Rousseff, venceria hoje a eleição para a Presidência da República já no primeiro turno. A petista lidera a disputa com 46% das preferências, contra 28,1% do candidato do PSDB e ex-governador de São Paulo, José Serra. A candidata do PV, Marina Silva, tem 8,1%.


Segundo Ricardo Guedes, o coordenador da pesquisa, Dilma venceria no primeiro turno porque, considerando apenas os votos válidos, ela teria 55,3% das preferências, na comparação com os 33,7% do candidato tucano. A conta dos votos válidos exclui brancos, nulos e indecisos. Com o resultado, Dilma ampliou a vantagem sobre Serra para 17,9 pontos porcentuais neste levantamento, ante os 10 pontos porcentuais da pesquisa anterior.

Guedes afirmou ainda que o índice de rejeição de Serra indica que a eleição caminha para um desfecho em primeiro turno, uma vez que a rejeição de um candidato a partir de 35% já é preocupante. Nunca vimos uma pessoa se eleger com 40% ou mais de rejeição.

A pesquisa registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fez 2 mil entrevistas e a margem de erro é de 2,2 pontos porcentuais para baixo ou para cima.


Com informações do Estadão.


http://www.jusbrasil.com.br/politica/5604996/cnt-sensus-dilma-tem-vantagem-de-17-9-sobre-serra

domingo, 22 de agosto de 2010

Datafolha: Após horário eleitoral, Dilma aumenta a vantagem sobre Serra.


Após as indicações do Ibope e do Vox Populi, agora é a vez do Datafolha mostrar que cresceram as chances de Dilma Rousseff vencer a eleição presidencial em primeiro turno no dia 3 de outubro próximo. Segundo o instituto, a candidata já alcançou 54% das intenções de votos válidos (desconsiderados os brancos e nulos).

O Datafolha divulgou hoje (21) o levantamento, feito ontem (20), que aponta Dilma com 47% das intenções, bem à frente de José Serra do PSDB (30%) e Marina Silva do PV (9%). A vantagem da candidata dobrou em relação ao levantamento realizado entre os dias 9 e 12 de agosto, quando a petista estava com 41%, o tucano tinha 33% e a candidata verde registrava 10%.

São três motivos apontados pelo Datafolha para a ampliação da liderança: influência da TV, votos das mulheres e desempenho melhor na região Sul. "Os que viram o horário eleitoral alguma vez desde que começou, na terça-feira [dia 17 de agosto], são 34%. Entre os que assistiram a propaganda, Dilma tem 53% e Serra, 29%", diz a reportagem do jornal Folha de S. Paulo.

Os diretores do Datafolha, Mauro Paulino e Alesandro Janoni, são categóricos sobre o peso da TV no cenário atual: "A TV prova mais uma vez seu poder de alcance e penetração nos mais diversos estratos da população brasileira, inclusive naqueles onde o acesso à informação é raro. Oficializadas as candidaturas, a cobertura das eleições na mídia, especialmente na TV, se intensificou".

Mulheres e Sul

No entanto, o movimento mais forte ocorreu entre as mulheres. Na pesquisa anterior do Datafolha, havia empate técnico de 35% entre Dilma e Serra. Agora, a candidata abriu simplesmente 12 pontos percentuais de frete: 43% contra 31% de Serra. No segmento dos homens, ela tem uma vantagem ampla de 52% contra 30% do tucano.

Nos três estados do Sul, o Datafolha mostra agora um empate técnico de 38% para Dilma e 40% para Serra. Há um mês, o tucano tinha uma liderança de 45% a 32%.

A pesquisa de ontem do Datafolha ouviu 2.727 eleitores. As intençõe de voto em branco, nulo ou nenhum são de 4%, e os indecisos, 8%. A margem de erro é de dois pontos percentuias para mais ou para menos


www.dilma13.com.br

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Vox Populi: Dilma abre 16 pontos de vantagem sobre Serra


Na mostra, a petista aparece com 45% das intenções de voto, enquanto o presidenciável do PSDB tem 29%


17 de agosto de 2010
19h 39


Gustavo Uribe, da Agência Estado


SÃO PAULO - A mais recente pesquisa Vox Populi de intenções de voto, encomendada pela TV Bandeirantes e divulgada nesta terça-feira, 17, mostra que a candidata do PT à sucessão presidencial, Dilma Rousseff, aumentou em 16 pontos a vantagem sobre o seu principal adversário na corrida eleitoral, o tucano José Serra. Na mostra, a petista aparece com 45% das intenções de voto, enquanto o presidenciável do PSDB tem 29%. Se as eleições fossem hoje, Dilma venceria a disputa em 1º turno, levando em conta os votos válidos. Na mostra anterior, veiculada no dia 23 de julho, a diferença entre os dois candidatos era de oito pontos - Dilma tinha 41% e Serra figurava com 33%.

Na pesquisa de hoje, a candidata do PV à sucessão presidencial, Marina Silva, pontuou 8%, o mesmo patamar registrado em julho, e os demais candidatos não chegaram a 1% das intenções de voto. O total de votos brancos e nulos é de 5% e 12% não sabem ou não responderam em quem vão votar. A TV Bandeirantes não divulgou o cenário da pesquisa em um eventual segundo turno. A pesquisa foi realizada com 3.000 eleitores, entre os dias 7 e 10 de agosto. O intervalo de confiança estimado é de 95% e a margem de erro máxima é de 1,8 ponto porcentual, para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob o protocolo nº 22.956/2010.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A verdade sobre a nogociação entre Lula e Ahmadinejad.

Parte da entrevista de Lula concedida à ISTOÉ em 08 de agosto de 2010.

ISTOÉ – A mais ousada ação do seu governo na política externa nos últimos tempos foi a intermediação da questão atômica com o Irã. O que faltou para o êxito da negociação?
Lula – É o tipo da coisa que somente o tempo vai se encarregar de mostrar o que aconteceu. Eu não tinha nenhuma relação de amizade com o (Mahmoud) Ahmadinejad. Conheci o Ahmadinejad numa reunião da ONU antes da minha ida a Pittsburgh para discutir o G-20. Tive uma conversa com ele. Discutimos duas horas e a primeira coisa que comecei a discutir era a respeito do Holocausto. Se era verdade ou não que ele não acreditava no Holocausto. E ele disse: “Não foi bem isso que eu quis dizer.” Se não foi bem isso que você quis dizer, então, diga. Porque em política todas as vezes que a gente começa a se explicar muito é porque a gente cometeu um erro. Ele disse: “É porque morreram 67 milhões de seres humanos na Segunda Guerra e parece que só morreram os judeus. Os judeus se fazem de vítimas.” Eu falei que se era isso que ele, Ahmadinejad, queria dizer então dissesse. Morreram 67 milhões de pessoas na Segunda Guerra, mas os judeus não morreram em guerra. Eles foram assassinados a sangue-frio, crianças, mulheres, em câmaras de gás, é diferente. Senti que tinha uma possibilidade de conversa. Ele pessoalmente é muito mais afável do que na televisão.

ISTOÉ – Como o sr. encaminhou a questão?
Lula – Eu cheguei na ONU, cheguei em Pittsburgh, tinham dado uma entrevista o Sarkozy (presidente da França, Nicolas Sarkozy), Gordon Brown (então primeiro-ministro britânico) e Barack Obama (presidente dos EUA) criticando Ahmadinejad. Fui no Obama e falei: “Companheiro, você já conversou com o Ahmadinejad alguma vez? Não. Você se dignou a pegar o telefone, ligar para ele e dizer: eu quero conversar com você? Não”. A mesma conversa eu tive com o Sarkozy, com o Gordon Brown e com a Angela Merkel (chanceler alemã). Ora, vocês nunca conversaram com o Ahmadinejad e estão dizendo que ele não quer sentar à mesa para negociar essa questão da paz. Então eu quero dizer para vocês o seguinte: eu acredito que ele quer sentar e eu estou convidando ele para ir ao Brasil, estou convidando o primeiro-ministro de Israel, estou convidando o Shimon Peres, estou convidando o presidente da Síria para ir ao Brasil. Separadamente, cada um na sua data. Ahmadinejad veio aqui. Nós conversamos mais de duas horas. Eu disse que, se fosse possível a gente avançar, eu mandaria o Celso Amorim ir muitas vezes lá. Como a Turquia também estava tentando, então o Celso Amorim e o ministro das Relações Exteriores da Turquia começaram a conversar com o primeiro-ministro do Irã, preparando a nossa ida lá. Em Copenhague, quase que eu consigo marcar um jantar entre Sarkozy e Ahmadinejad. Mas, como a rainha da Dinamarca não convidou o Ahmadinejad para o jantar, não deu. Chegou o dia de eu ir ao Irã e eu falei para o Celso que era preciso dizer para o Ahmadinejad que eu não poderia fazer uma viagem inútil.

ISTOÉ – O sr. também havia recebido um pedido de Sarkozy para encaminhar ao Ahmadinejad.
Lula – Sarkozy tinha falado conosco da moça que estava presa, se poderia ter um gesto de liberar. Eu conversei com Ahmadinejad e ele se comprometeu a liberar, tanto é que eu cheguei à meia-noite lá e às cinco horas da manhã ele liberou. Duas semanas antes de eu viajar, recebo uma carta do Obama. E a carta do Obama tinha um viés. Primeiro tratando de uma forma carinhosa, se desculpando da grosseria dele quando nós fomos discutir o assunto nuclear lá. Ele achou que eu e a Turquia estávamos sonhando, acreditando no Ahmadinejad, que ele iria enganar a gente, não iria cumprir nada. Eu disse o seguinte: “Eu nasci político, meu filho. Toda a minha vida, desde 1969, foi negociar. Perdi muita coisa, ganhei muita coisa, mas negociar é a arte maior de fazer política. Então eu vou lá porque eu acredito.” Tanto é que quando eu cheguei na Rússia, na viagem para o Irã, Dmitri Medvedev (presidente russo) me disse: “Obama me ligou dizendo que ele acha que você vai ser enganado pelo Ahmadinejad.” Um jornalista perguntou: “Escuta aqui, de zero a seis, qual é o grau de otimismo que você tem para fazer a negociação?” O Medvedev falou 30%. Eu disse: Porra! Que otimismo pessimista! Eu falei 99,9%. Cheguei ao Qatar, o Obama tinha ligado para o emir dizendo que vão enganar o Lula. Cheguei ao Irã, conversamos, conversamos, conversamos. Fui conversar com o líder supremo, Khamenei. Duas horas de conversa. Depois fui conversar com o Ali Larijani (presidente do Parlamento) e com todos falei da importância, que eles não poderiam arriscar o bloqueio.

ISTOÉ – Por que, presidente?
Lula – Porque o bloqueio começa sem dor, mas daqui a pouco começa a faltar remédio, começa a faltar comida. E quem paga o preço são as crianças. Contei que Cuba viveu 50 anos, que a Líbia viveu 13 anos com bloqueio. Eu conversei tudo o que poderia conversar com eles. O Celso Amorim teve um papel extraordinário com os ministros. Chegou no outro dia às 9h da noite e nós fomos jantar. O Celso não estava no jantar e estava o ministro deles. Azedou, pensei. Esse aqui (o ministro Franklin Martins) estava muito pessimista. Na hora que eu saí do hotel, ele falou: “não vai dar nada”. E eu: “Calma, rapaz, tem que ter fé. A fé que move montanhas.” Eu cheguei lá, estava o ministro deles, mas não estava o Celso. Pensei que tinha azedado mesmo. Então disse para o Ahmadinejad: amanhã eu vou embora, sabe que para eu vir aqui eu larguei a minha mulher e os meus filhos, tenho tarefa pra caramba no Brasil. Vim aqui porque eu quero para você o que eu quero para mim. Eu quero que o Irã desenvolva o enriquecimento de urânio para fins pacíficos, para produzir coisas para a indústria farmacêutica, para produzir coisas para a energia nuclear e no meu país isso está na Constituição. E eu não quero que, por equívoco, o mundo rico, que tem bomba nuclear, te impeça de fazer isso. Então, na verdade eu vim aqui para dar as minhas costas para repartir as chibatadas que você está tomando e não gostaria de ir embora sem assinar esse acordo. Se eu for embora sem assinar esse acordo, eu vou ter que começar a fazer discurso dizendo que você não quer negociar mesmo.

ISTOÉ – Depois disso ele resolveu assinar?
Lula – Ele disse: Vamos conversar amanhã de manhã? O ministro dele estava comigo e ia encontrar o Celso ainda. O ministro dele disse assim para mim: “Presidente, falta só um ponto, eu vou encontrar com o Celso agora.” Quando foi meia-noite, eu cheguei ao hotel e o Celso me liga: “Presidente, fechamos.” Nós fomos para acertar o acordo. Tinha físico para dar palpite, como vocês nem imaginam. Os caras não queriam assumir compromisso com data. Eu disse que sem data nós não concordávamos. Eu falei: “Ahmadinejad, vocês sabem o que falam de você. Lá fora na Europa, nos Estados Unidos, falam que você não cumpre palavra, você sabe disso. Por isso é importante colocar a data dizendo que tal dia você vai mandar tal coisa”. Ele topou. Qual foi a minha surpresa, companheiros? É que o pessoal que estava há não sei quantos anos tentando conversar com o Ahmadinejad e nunca conversou, porque nunca tentou, ficou com ciúmes. Por isso a reação. Na minha opinião, essa é a única explicação para a ciumeira do Conselho de Segurança da ONU. Nós ainda mandamos para o grupo de Viena, com Rússia, Estados Unidos e França, a carta no domingo, e ainda assim eles tentaram barrar. Eu acho que a história vai mostrar o equívoco dos companheiros que resolveram trocar as conversas pelas sanções, porque demonstraram apenas ciúmes. Em minha opinião, uma atitude pequena. O problema é o seguinte: se a ONU continuar fraca do jeito que está, vai prevalecer o unilateralismo, a posição unilateral dos americanos vai continuar prevalecendo. Quando nós propusemos fortalecer a ONU, não queríamos só a entrada do Brasil. Mas a entrada do Brasil, da Índia, da Alemanha, de dois ou três países africanos.

ISTOÉ – Mas uma luta histórica do Brasil é pelo assento definitivo no Conselho de Segurança da ONU.
Lula – É para que tenha mais representatividade. Imagine o continente africano com 53 países que não tem ninguém. E quantos têm os europeus? E agora tem mais a Alemanha, convidada especial. O Conselho de Segurança da ONU não pode ser um clube de amigos, não pode ser tratado assim. Aquilo tem que ser uma instituição multilateral para resolver problema de conflitos. Em minha opinião, no Oriente Médio não haverá solução enquanto os americanos acharem que são eles os responsáveis pela construção da paz. Se a ONU fosse forte, resolveria o problema do Oriente Médio. Iria lá, demarcaria a terra dos palestinos, demarcaria a terra de Israel e faria cumprir, como fez em 1948, quando criou o Estado de Israel. Como ela é fraca, fica só lá, um dia vai um e ganha o Prêmio Nobel, outro dia vai outro e ganha o Prêmio Nobel, não faz nada, outro dia vai outro e outro prêmio. Então, eu acho que é uma estupidez política não reformar o Conselho de Segurança da ONU.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

A aplicação do marketing político nas campanhas eleitorais


O marketing político é essencialmente aplicado nas campanhas eleitorais para influenciar a opinião pública. Entende-se por opinião pública idéias, ações ou conceitos que nascem do povo, da sua cultura, muitas vezes influenciadas por formadores de opinião ou pelo censo comum. Mas essa técnica também é utilizada para planejar as atitudes do político nas suas campanhas eleitorais no sentido de conquistar e cultivar a atenção, o interesse e a preferência de um mercado de eleitores. Ações como destacar as qualidades do candidato junto aos eleitores e reforçá-las durante o período eleitoral com slogans e imagens que ressalte nessa conquista, são formas incontestáveis do uso do marketing político.
Corroborando com a constatação anterior, Torretta (2003, p. 69-70), pergunta e responde quais as imagens que ficaram da guerra entre EUA e Iraque (em termos de Marketing Político)?

[...] do presidente George Bush, no final da guerra, descendo no porta-aviões Abraham Lincoln e discursando. E, enquanto discursava, centenas de oficiais olhavam e respeitavam o chefe da mais poderosa Nação do mundo. Os membros da tripulação alinhados com camisas coloridas acima do ombro direito do Presidente Bush, e banners com a mensagem: ‘missão cumprida’. A que horas foi o discurso? Pergunte a qualquer diretor de fotografia qual é a melhor hora para se filmar: 5 da tarde! O tom ficou maravilhoso, dourado, provocando uma iluminação suave na face esquerda do Presidente e, na face direita um leve sombreamento. Foi tudo planejado. [...] No dia em que ele anunciou que iria atacar o Iraque, onde foi o discurso? No jardim da Casa Branca, o Presidente brincando com os cachorros. Calmo, tranqüilo e dono de si. Aliás, portando-se como o Dono do Mundo que nada teme. Vamos lembrar do discurso do Presidente no aniversário do atentado de 11 de setembro. Qual era o cenário? Noite escura e ao fundo a Estátua da Liberdade, é claro. E, para que ela ficasse bem iluminada e saísse bem na fotografia, a Casa Branca alugou três balsas com gigantescos canhões de luz para iluminar toda a estátua. O cenário do fundo da foto deve possuir contexto e agregar valor à imagem.

Assim como na guerra, no mercado quem for mais astuto e utilizar melhor as técnicas apropriadas vencerá a batalha. Aliás, eleição é guerra de marketing e uma guerra só se vence quando se conhece bem o inimigo para poder neutralizá-lo. Nessa batalha não se pode ser puritano; vale tudo desde que se tome cuidado para que o jogo não vire contra o jogador
Manhanelli (1998, p. 21) cita que “o puritanismo não tem lugar nem hora em uma guerra e nem em uma eleição, pois o que está em jogo é muito importante para quem se dispõe a enfrentá-las”.

A propaganda tem por objetivo não somente informar, mas também convencer através do uso do conjunto de técnicas, por meio de sons e imagens, tornando-se fundamental para conseguir o apoio e o voto dos eleitores nas campanhas eleitorais. Os políticos cada vez mais vêm procurando impor uma imagem de si para que esta seja captada pelo seu eleitorado. A imagem de um dirigente equivale à marca de um produto. Dessa forma, o político constrói uma marca confiável e de fácil identificação pelo eleitorado. O político passa a representar o ideal, aquilo que cada um gostaria de ser, ou seja, identificar-se com o seu público-alvo.

A propaganda é um fator essencial à política. Uma das ferramentas mais importantes e mais utilizadas para conquistar o poder e justificar a dominação. Trata-se de uma forma de coação psicológica, cujo elemento fundamental é a manipulação que, muitas vezes é capaz de impor uma idéia, um programa ou uma ideologia, sem que o manipulado perceba.

O marketing político tem também a função de despertar paixões, desejos e expectativas em relação ao candidato, gerando entusiasmo e esperanças para com o que ele defende durante a campanha. Para isso o discurso político deve ser coerente e lógico para persuadir o eleitor e fazer com ele perceba que a mensagem que está sendo passada é verdadeira.


Marketing político não deve partir do pressuposto de que todos os eleitores são manipuláveis.
Pensando dessa forma pode-se incorrer em erro grave, pois generaliza o padrão de comportamento, igualando os eleitores no que se refere à conscientização política. É bom que se diga que existem vários padrões de politização entre o eleitorado: uns gostam e por isso entendem mais de política, enquanto outros não gostam do assunto e por isso entendem menos.

Nessa linha de raciocínio é acertado afirmar que uma campanha não atinge a todos os eleitores de forma igual, portanto, sua influência não é homogênea.
Para o sucesso do marketing político nas campanhas eleitorais é necessária a aplicação dos compostos mercadológicos como método.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

História do marketing político no Brasil

O marketing político ainda é uma ciência nova, um campo novo do saber, portanto possui pouca sustentação teórica, mesmo que muito utilizado para o sucesso nas campanhas eleitorais que é sua função na prática. O conceito para essa estratégia nasceu há poucos anos, mas sua utilidade remonta à Antiguidade, pois sempre houve a necessidade de se conquistar e manter o poder frente a qualquer grupo social.
Nos primórdios da civilização o marketing político já era aplicado pelos chefes das tribos subiam em árvores ou pedras para falar sobre a guerra e outros assuntos de interesse de seus comandados. Eram os primeiros discursos. A história continua, resumidamente, passando pela Grécia Antiga com os sofistas, a revolução francesa com os iluministas, marxismo e leninismo na Rússia, Hitler e Goebbels na Alemanha (RIBEIRO, 2002).
No Brasil, o marketing político realmente começou a se tornar forte a partir da década de 60 quando foi subdividido em marketing político e marketing governamental. Getúlio Vargas com a sua marca “pai dos pobres”, considerado até hoje por muitos como o melhor presidente que o país já teve, aproveitou-se bem deste slogan para se manter no poder. Esse mesmo presidente patrocinou a rádio nacional, facilitou o crédito para que as pessoas de baixa renda pudessem adquirir aparelhos radiofônicos e mandou instalar alto-falantes nas ruas para aumentar ainda mais a sua popularidade. Mas quando surgiu a TV no Brasil, Juscelino Kubitschek foi o que mais se aproveitou dessa nova tecnologia e apareceu na telinha mais de 100 vezes. Claro que isso não influenciou muito, pois eram poucos os que dispunham do aparelho. Mais tarde, Jânio Quadros aparece como “o homem da vassoura” querendo “varrer” a corrupção do país. Em seguida a Ditadura Militar com vários slogans de efeito, sendo um dos mais famosos “pra frente Brasil” e mais tarde, na pós-ditadura, “as Diretas Já”.
Na década de 80, com o renascimento da democracia, foi instituído o horário eleitoral e Fernando Collor de Melo ganhou as eleições em 1989, quando utilizou um marketing eleitoral até então nunca visto. Sua imagem sempre associada ao esporte e à vibração se apresentava na mídia geralmente correndo com roupas esportivas e de punhos cerrados ou sinalizando vitória. Seu slogan intitulado “o caçador de marajás” atendia aos anseios da população, pois o país passava por um período de denúncias de altos salários nos escalões do Governo.
“[...] o marketing político vem aumentando gradativamente sua influência no jogo eleitoral, a ponto de ser aderido até por políticos e partidos radicais da extrema esquerda”. (TEIXEIRA, 2006, p. 18).
A idéia de construir grandes obras para imprimir sua marca e ser lembrado como grandes imperadores e faraós, ainda é muito utilizada hoje em dia por vários políticos conhecidos como megalomaníacos, como é o caso de Paulo Maluf quando foi governador do Estado de São Paulo e construiu grandes viadutos. Atitudes como essas ainda funciona muito bem como marketing para qualquer político, pois grandes obras são grandes feitos que aparecem e resultam em voto.
Nessa linha das grandes construções, as antigas Sete Maravilhas do mundo são um fantástico exemplo da forma brilhante de como as grandes obras funcionam como comunicação e marketing para promover grandes políticos.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Marketing político

Tudo numa campanha eleitoral é marketing político: jingle, foto e vestimenta do candidato, tipo de papel utilizado nos materiais, cores das peças e, sem esquecer da unidade disso tudo, ou seja, a campanha tem de ter unidade nas peças para fortalecer o posicionamento do candidato junto aos eleitores. Não se pode, por exemplo, usar uma cor num material e outra noutro ou fontes de letras diferentes que não siga uma mesma linha.
Com a revolução industrial vieram os ideais que ultrapassaram fronteiras. Liderados por Lênin e Marx, os trabalhadores conheceram um grande movimento político chamado de Comunismo. E para que as Revoluções dessem certo, ou pelo menos acontecessem, foi preciso a ação do marketing político ligado às grandes ideologias. Na Rússia praticamente cada grupo tinha seu jornal, as rotativas já era uma realidade e aqueles líderes russos começaram a esquematizar e a dar um caráter técnico à comunicação. Foram Lênin e Marx que criaram os primeiros centros de informação (RIBEIRO, 2002).
Depois vieram Hitler e Goebbels que acabaram virando o jogo de cabeça para baixo. Enquanto Lênin e Marx tinham objetivos verdadeiros quando diziam: “Terra e Paz”, na Alemanha pregava-se um conteúdo falso com o lema “em defesa da civilização cristã”. A diferença entre as duas ideologias era que Hitler utilizava técnicas perfeitas no aprimoramento da comunicação política.
Torretta (2003, p. 15-16) cita que, Hitler tinha botões no palanque para regular a luz e o volume do som enquanto discursava. E o conceito deles de propaganda era baseado em um rosto, um símbolo, um slogan e um grito. Hitler tinha anotado em uma caderneta quais eram as melhores horas do dia para falar – a iluminação.
Por analogia entre marketing e marketing político, chega-se à conclusão que o comportamento do consumidor, no caso do marketing político, pode ser influenciado por costumes arraigados nos tempos do coronelismo e da ditadura militar. Ainda dentro deste assunto existe uma cultura do voto útil, principalmente nas regiões do interior do Brasil, onde o eleitor acaba elegendo candidatos que estão em primeiro lugar nas pesquisas de opinião acreditando que dessa forma não estão jogando seu voto “fora”, ou por questões financeiras (compra de votos). Em muitos desses casos acaba elegendo pessoas sem comprometimento político com a comunidade.
Pode-se dizer que a grande estratégia do marketing político durante a campanha eleitoral, é procurar identificar e abranger as idéias e as aspirações que estão em ascensão naquele momento na sociedade e desta forma fazer a adequação do candidato às peculiaridades dessas necessidades. Isso faz com que o eleitor se identifique com o político ao ver que ele é o mais indicado para resolver as demandas ou promover as mudanças mais prioritárias.
Numa escalada sem precedentes, hoje o marketing político tem sua fundamental importância no que se refere à dominação, à conquista do poder. Essa técnica é utilizada como forma de persuasão sobre a opinião das pessoas no campo político, colocando-se como uma nova abordagem na estruturação de uma campanha eleitoral.
O marketing político, como forma contemporânea de controle da opinião pública, estabelece relação íntima com a legitimação do poder. Percebido como um fenômeno eminentemente centrado no processo de conquista do poder, o marketing político está ligado umbilicalmente à ciência política.
Há grandes diferenças entre marketing empresarial e marketing político. O primeiro trata de promoções de produtos em que o consumidor escolhe o que quer adquirir ou possuir um determinado serviço ou produto que vá satisfazer um desejo ou necessidade com a opção muitas vezes de palpar, sentir, ou seja, poder mensurar seu valor. No segundo caso, o processo de escolha é outro: o consumidor é o eleitor que analisa o candidato, percebe suas intenções para com ele e sua comunidade e, após essas ponderações decide pelo voto. É como se a pessoa estivesse “comprando” comprometimento, credibilidade e caráter, qualidades essas baseadas nas virtudes do candidato. Os costumes e a cultura que regulam o mundo do eleitor são fundamentalmente diversos daqueles vigentes no mercado econômico. São normas, leis e práticas bem diferentes.
O projeto da direita


Um texto com uma análise bem montada, vale a pena a leitura.



Matéria originalmente publicada no site Tijolaço. Por Brizola Neto.


A essência deste projeto era a desinformação e o esfriamento do debate político. O desconhecimento de Dilma, o seu quase anonimato, era o seu trunfo. E, convenhamos, isso correspondia a uma realidade. Um realidade que prevaleceria, se dependesse apenas do processo político convencional, inclusive das estruturas partidárias que apóiam Dilma, perdidas em composições eleitorais, disputas por “cabeças de chapa” e disputas de “espaço interno”. As estruturas políticas convencionais da nossa “esquerda” estão acomodadas, sofrendo da “modorra” criada por anos de governo, de cargos, de praticar uma política que, embora diferente do ponto de vista dos seus objetivos, ia se tornando semelhante, em matéria eleitoral, à dos políticos conservadores.
Alguns fatores, porém, mudaram esta situação. O primeiro, e mais importante deles, é que Lula nem de longe trabalhou com a tese de que seu retorno ao poder em 2014 fosse o objetivo central e, portanto, nunca adotou a posição de d’après moi le deluge (depois de mim, o dilúvio, que teria sido uma frase dita por Luís XV, rei da França). E olhem que isso não é raro com governantes populares e bem avaliados, e os mais velhos podem traçar paralelos com o que ocorreu com JK.
Ao contrário. Lula, desde o momento em que escolheu Dilma sinalizou que quem enfrentaria o processo eleitoral não seria o PT ou os partidos da base do Governo, mas ele, pessoalmente. Ele, que pela sua origem e estatura, sabe que o sucesso de seu governo deveu-se não à máquina, mas a si mesmo, quis alguém externo à máquina partidária, que não tinha como desafiá-lo e a quem não restava alternativa de, mesmo sem grande ânimo, senão aderir – para alguns com certo contragosto – à candidatura Dilma.
Tenho certeza que foi enorme o sofrimento pessoal do presidente ao sacrificar Ciro Gomes- que não apenas foi um aliado fiel como é uma figura humana cativante – em nome desta identificação única: Lula é Dilma e Dilma é Lula.
E Lula enfrentou, pra valer, o processo eleitoral. Expôs-se até ao um risco de quebra de sua “unanimidade”, jamais recolheu-se a uma falsa posição de árbitro ou de alheio ao processo, não seguiu o modelo “Bachelet” de manter-se um tanto quanto afastado da dinâmica eleitoral para que um eventual insucesso eleitoral não maculasse sua “canonização” política, o que era algo tão forte que até mesmo Serra – o prévio Serra – não hesitava em exaltar.
Ficou claro o que Lula queria deixar claro: Lula é Dilma e Dilma é Lula. O segundo fator foi, por conta disso, a lucidez do povo brasileiro. Na sua simplicidade, soube – e está sabendo cada vez mais – ler o que dizia o presidente e corresponder a este entendimento. A adesão à candidatura Dilma espalhou-se como uma imensa hera, incontrolável, por vezes – para escândalo dos sabichões elitistas – de forma aparentemente irracional (mas, no fundo, totalmente lógica e razoável, por identificação a um momento novo na vida do país). Era “a muié do Lula”, termo que nossos “punhos de renda” desprezavam, mas que para o nosso povão, na sua sincera e genial compreensão, resumia perfeitamente o significado da candidatura que ele propunha às massas. Ah, como este nosso povo é lúcido quando os líderes se oferecem a ele como referência!
Ficou-lhe claro que Lula é Dilma e que Dilma é Lula. O terceiro fator, menos importante do ponto de vista de massas, mas importantíssimo para que o debate formal e midiático não ficasse totalmente sob as rédeas da direita – como sempre aconteceu – foi esta nossa incipiente comunicação via web. As manobras, a parcialidade da mídia, as manipulações das pesquisas, tudo isso que sempre se fez impunemente nos processos eleitorais, de repente, viu-se sob o crivo de dezenas de milhares de olhos e suas contradições foram expostas, escritas num lugar em que centenas de milhares ou até milhões de pessoas poderiam ver.
Se a crise do capitalismo mundial abalou o mundo do pensamento único, foi aqui – e não na mídia convencional – que os outros pensamentos, as outras análises, os outros enfoques, as outras verdades encontraram o seu canal de expressão aberta, já não mais restritas aos circulos acadêmicos, partidários, corporativos. Uma leitora, num depoimento que me comoveu profundamente, disse outro dia aqui que tinha largado as panelas do jantar de sua família para ler uma determinada análise política. Será que os nossos analistas políticos se dão conta do que vem a ser isso? Será que se dão conta do sentido sublime e genial desta participação de alguém que, para eles, é uma pessoa amorfa, conduzida de forma inciente pelo marketing? A mudança de posição de Serra, abandonando o “lulismo”, tem dois significados.
O primeiro é que desabou a pretensão da direita de, sob mil artifícios de mídia e de pesquisas (e ambas se confundem, não é?), inaugurar a campanha eleitoral, com o “favoritismo” de Serra. Este favoritismo seria sua legitimação. Seria sua “ligação com o povo”, que o absolveria de ser, como é, o candidato anti-povo. Ele a perdeu. Ele está fadado a começar a campanha como o candidato das elites , do “grand-monde” , ordem interna e da obediência externa.
E isso quer dizer que seu “teto” baixou para algo como os 30% dos votos que a direita, em geral, consegue reunir em qualquer pleito eleitoral. São estes que Serra busca consolidar. Ninguém ache que o sentimento anti-Lula se resuma aos 5 ou 6% que aparecem como avaliação de “ruim e péssimo” nas pesquisas sobre seu Governo. Ele é correspondente, isso sim, aos 24 ou 26% que não são classificados como “aprovação”. Você mesmo pode verificar entre o seu círculo de relacionamentos que os que classificam o Governo como “razoável” são, em geral, eleitores do candidato anti-Lula.
Mas não se ganha eleição com 25 a 30%. É preciso criar uma crise que desestabilize esta tendência natural. Econômica, seria o ideal. Mas o caminho para isso parece estar fechado pela pujança que a economia brasileira tem, neste momento e, ao que tudo indica, terá nos próximos meses.
Resta a crise institucional. E ai, já vimos que estamos diante de alguém desligado de qualquer princípio ético e moral, que é capaz de mentir, de camuflar, de esconder ou de intrigar de todas as formas. Nosso dever, aqui nesta nossa pequena janela que lança luz sobre os fatos, é não descuidar e nunca achar que o inimigo está derrotado. Porque ele não segue as regras do jogo democrático e eleitoral. Vamos vencer, sim. Mas o preço desta vitória ainda nos será muito caro. Virão ainda mil e uma armações, além das que já estão em curso.
Talvez nos sirva o preceito bíblico: vigiai e orai. Mas com um acréscimo: vigiai, orai e lutai. Comecemos mais uma semana de combate, meus amigos. Com a serenidade dos que têm a razão a seu lado. Mas com a dedicação e coragem dos que sabem que estão lutando uma grande batalha histórica.